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Dia dos namorados

Conheceram-se na Faculdade; ao passar no corredor um pelo outro sentiram algo fora do normal. Aconteceu ficarem na mesma turma e então a convivência estreitou-se. Em primeiro lugar o que mais lhes chamou a atenção foi o aspecto físico; mas sem saber porquê começaram a “gostar” um do outro. Estavam enamorados – era a primeira fase; numa segunda fase reconhecem que não é só a beleza física que conta, mas um conjunto de factores, como a forma de andar, os gostos manifestados, o modo de falar, etc., que cria a atracção.

N/D
14 Fev 2004

Talvez este caso possa ser incluído no que se convencionou chamar “amor à primeira vista”; nos tempos que correm não é muito vulgar, mas acontece e depois, à medida que as pessoas se conhecem melhor, vão aparecendo as situações de afecto.
Isto de alguém se enamorar por outro(a), tem algo de misterioso e se a intuição tem um papel importante, vai surgindo a percepção que deve haver alguma razão explicativa. Há, geralmente, o que se chama “memória experiencial”. Quando visitamos um determinado lugar que nos é familiar e encontramos algo de estranho o nosso desejo é procurar o motivo; ele muitas vezes está, por exemplo, no caso de um local de veraneio, em que as habitações que nos rodeiam mudaram de cor. O aviso inconsciente antecede a explicação da razão.

Quando uma pessoa é atraída por outra, é porque encontra situações semelhantes que anteriormente a impressionaram favoravelmente. É um aspecto da intuição, que tem as suas falhas.

Após a fase da atracção física e psíquica, começa a pôr-se o problema de gostar ou não gostar e abre-se a porta ao namoro. Aqui começa o perigo, se a vontade não comanda, mas é comandada – entra-se na espiral da fuga às realidades, até chegar ao estado que Ortega e Gasset considerava de “imbecilidade transitória”. A afectividade deixada sem controlo deturpa a realidade e por isso é muito acertado o ditado popular que diz: “quem o feio ama, bonito lhe parece”.

O enamoramento é uma paixão e como tal o seu fim único é obter o ser que a alimenta. O pensamento fica bloqueado, muda a forma de pensar e tudo se justifica, mesmo o que antes não era aceite; vale tudo … desde que se consiga possuir o que se deseja.

Daí chega-se ao amor, que é um sentimento muito nobre, de estima, voluntário e portanto controlado pela vontade, não dependente das circunstâncias externas e mutáveis, e onde o desejo de posse cede lugar ao desejo de dar e partilhar. Quando há amor, o rancor muda-se em perdão; o ciúme em confiança plena; a intolerância em compreensão; o egoísmo em doação generosa. O amor devia ser o fim normal do namoro. Saber amar é assim uma forma, talvez única, de encaminhar o dia a dia para o objectivo mais belo – fazer feliz o outro(a).

Eu sei que a convivência a dois nem sempre é fácil, mas uma zanga não é um drama e vale mais, para o amor, que a indiferença que nem capacidade tem para brigar. Acabada a zanga, o amor renasce mais forte, só que convém não abusar…

O mal dos nossos tempos é que o namoro não é considerado um tempo de conhecimento e adaptação mútuos, mas um tempo de hipocrisia, de permissividade, chamando namorados aos que coabitam e vivem muito mais a união dos corpos do que a união dos sentimentos.

Assim os jovens que começam um relacionamento com outra pessoa de sexo oposto, pensam logo em relações sexuais, julgando que assim consolidam a sua relação. Nunca, como actualmente, as experiências pré-matrimoniais foram tão banalizadas e manifestadas com tão grande despudor; por isso o número de mães solteiras adolescentes sobe em flecha, estando Portugal num dos primeiros lugares a nível europeu.

Felizmente muitos adolescentes e jovens estão a dizer NÃO a tal comportamento não temendo por isso perder a relação que tinham. Tais adolescentes e jovens guardam uma frescura que levam depois para o casamento como garantia de felicidade.

Partilhar pensamentos, ideias, sentimentos, e sobretudo respeito mútuo, é o que fortalece uma relação. Dizer NÃO, pode ser a melhor maneira de dizer AMO-TE.




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