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Um conluio nunca visto

O país está sujeito a uma campanha organizada, em todos os tons e recantos, que, a pretexto da despenalização do aborto, espera que o mesmo acabe legalizado por completo. Para já, ainda com algumas limitações, mas abrindo sempre mais a porta, até que fique escancarada de vez. Trata-se de um caminho de progresso ou do regresso à barbárie?

N/D
13 Fev 2004

São os meios de comunicação social públicos e privados; são os jornalistas de turno, atentos e aguerridos; são os políticos, uns a dizer logo que sim, outros que talvez, e outros que assim-assim, pois com eleições à porta não se pode contrariar a maré; são escritores e poetas, professores e alunos, uma vez que, em assunto desta monta, ninguém pode deixar de ter opinião; são sondagens sobre sondagens, na rua e pelo telefone, mais preocupadas em fazer opinião, que saber da opinião; são abaixo-assinados, recolhendo assinaturas em toda a parte, dando tom à pergunta para ser mais fácil a resposta e mais rápido o assinar a folha; são intervenções sibilinas de gente da alta sociedade que, não querendo dizer tudo, diz mais que tudo…
O tempo deu-me azo para ver o panorama, para ler e ouvir, reflectir e poder concluir que nunca, em minha vida, vi conluio tão organizado, tão cheio de meias verdades, tão carregado de emoções, tão vazio de razões, tão descentrado do essencial, tão alienante, tão a comando de mãos às claras e de mãos às ocultas. Um retrocesso claro, porque desumano e cego.

O problema é sério, ninguém o pode negar. Está em jogo o maior de todos os valores, que é o da vida. De maneira inesperada o país deixou-se ir a reboque de políticos, sindicatos, mulheres que gritam, militantes da comunicação.

O espectáculo teve o seu auge junto ao Tribunal de Aveiro. Aí se proclamou que o aborto é um direito que se deve respeitar, e já. Os paladinos da democracia decretaram que impedir a mãe de ser dona do seu corpo e de abortar livremente, é ser retrógrado e hipócrita. Nada menos.

De modo sereno, é preciso dizer que matar um ser humano é sempre crime. Em qualquer homicídio, o juiz pesará as atenuantes que, em muitos casos, podem ser muitas e consideráveis. Julgará com justiça e segundo a lei.

E até pode absolver o homicida. Ou assim, ou a vida deixará de ser o dom por excelência, precioso, único e inviolável.

Se, para muita gente, a vida é coisa de somenos importância quando se trata de um filho no seio materno, porque há-de ser coisa de tanto apreço e estima, quando se trata de uma criança violada, de um doente incurável, de um jovem paraplégico, de um idoso sem família, de um sidoso inocente, de um imigrante sem sorte? Porquê?

Será apenas pelo facto de se ter ou não um rosto já visível? Onde está a hipocrisia, afinal?

É tempo de se pensar com liberdade e serenidade que, se não se respeita a vida nascente indefesa, não há mais razão para se respeitar a vida, seja de quem for e em que circunstâncias for.

Os defensores do aborto estão colocando a espada de morte sobre o seu pescoço. A degradação social começa assim.




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