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A Urgência hospitalar – emergência, urgência e loja de conveniência!

Os Serviços de Urgência Hospitalares são locais destinados a tratar as emergências e as urgências. No entanto continuam enxameados de outras situações que ou não encontram acolhimento atempado nos centros de saúde ou são casos de abuso e mera conveniência. Apesar das várias tentativas para mudar esta realidade, como a implementação de sistemas de triagem, procurando que às urgências apenas recorram as verdadeiras situações que delas necessitam, continuamos a assistir a um entupimento quase constante daqueles serviços por quem deveria ser atendido noutros locais.

N/D
10 Fev 2004

Há múltiplas razões para que ano após ano continuemos com esta situação que é dolorosa para os doentes e penosamente desgastante para os diversos profissionais.
A falta de recursos humanos ao nível dos cuidados primários como a carência de especialistas em Medicina Geral e Familiar, é um dado preocupante. No entanto, não é menos verdade que com outro tipo de gestão algumas das carências poderiam ser minoradas. Refiro-me em concreto à organização do trabalho médico e à correspondente retribuição. Actualmente não faz qualquer sentido existir um sistema presencial de marcação de consultas obrigando as pessoas a fazer grandes madrugadas para conseguirem uma vaga, ou uma espera de muitas horas para assegurarem um atendimento.

Gerir melhor o trabalho médico libertando-o de tarefas burocráticas inúteis, renegociar horários de forma livre e satisfatória para todas as partes, são medidas capazes de reforçar a ligação médico/doente com aumento da responsabilidade e da satisfação recíprocas.

Nesta ordem de pensamento creio que fará sentido repensar a organização dos próprios Centros de Saúde e dos Serviços de Atendimento Urgente deles dependentes, não com a intenção de pulverizar serviços que apenas multiplicam a despesa. Tudo o que for feito para aumentar a oferta sem um reforço da confiança médico/doente será desbaratar recursos. Só com uma organização e uma gestão que fortaleça esta relação se poderá melhorar os cuidados de saúde com maior satisfação e quiçá melhor racionalização de custos. Creio ser imperioso repensar os cuidados de saúde primários atendendo a esta premissa fundamental e necessária para relançar uma relação de confiança muito diminuída e em boa parte responsável pelo estado a que chegamos.

Não pode haver ilusões! Há que dar às pessoas o direito de serem atendidas em tempo útil nos locais adequados. Enquanto isto não for conseguido vamos continuar a assistir nas nossas urgências a muitos abusos e até a faltas de civismo dificilmente penalizáveis. Continuámos a conviver
no mesmo espaço com emergência, urgência e loja de conveniência. Com prejuízo
de todos!




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