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Nótulas soltas da minha agenda

1. Féher morreu. Lamento a morte de um jovem. Futebolista ou não. Se tivesse morrido um jovem cientista teria havido a mesma mediatização? Tenho a certeza que não. Quando muito, uma pequena nota nalguns jornais. Dá-me que pensar o modo como tratamos, nós os portugueses, a “massa cinzenta”. E é nesta que está o progresso […]

N/D
2 Fev 2004

1. Féher morreu. Lamento a morte de um jovem. Futebolista ou não. Se tivesse morrido um jovem cientista teria havido a mesma mediatização? Tenho a certeza que não. Quando muito, uma pequena nota nalguns jornais.
Dá-me que pensar o modo como tratamos, nós os portugueses, a “massa cinzenta”. E é nesta que está o progresso e o bem-estar dos povos! Mas, que seria de esperar de um país telenovelizado, que não tem dinheiro para a investigação científica, não tem dinheiro para pagar aos cientistas, mas constrói ou reconstrói dez (10) estádios de futebol para gáudio de poucos?

Lamento a morte de Fehér. Interrogo-me sobre a importância que lhe foi atribuída.

2. É o descalabro total sentido e vivido por quem está no sistema. Quem, como eu, docente há mais de três décadas, já se apercebeu que de ano para ano a situação escolar vai piorando sistematicamente. Não é só a indisciplina. É, também, o desinteresse. A desmotivação. A falta de cultura geral. Cada vez mais os alunos dominam menos o Português básico: escrevem mal e interpretam pior. De Matemática desconhecem bases essenciais como, por exemplo, achar uma simples percentagem ou reduzir quilos a gramas!

As notícias dos últimos dias, revelando a real situação dos nossos estudantes, não são novidade para quem é docente.

3. A radiografia agora desvendada, merece a análise de quem de direito, em prioridade: os professores. Estes estão há longos anos afastados pelos “sábios” do Ministério da Educação, da reflexão. Quando se lhes pede a opinião já as decisões estão tomadas. Tenho para mim que o mal começou com a Reforma de Veiga Simão ao desmantelar, em vez de reforçar, o Ensino Técnico.

Depois, de ano para ano, de reforma em reforma, o sistema educativo não tem deixado de piorar.

Pessoalmente, estou farto, de ouvir diversos agentes (psiquiatras, pedagogos, investigadores, médicos, etc.) exteriores ao sistema educativo perorar sobre este. Todos dão os seus “palpites”!
muito sábios, muito de vanguarda, muito progressistas. E os professores? Remetidos ao silêncio. Por culpa própria? Sim, também, mas, sobretudo, por afastamento intencional do debate e reflexão.

Aos docentes exige-se-lhes que dêem o programa, quantas vezes impossível de se cumprir por irreal e desadequado à realidade concreta de cada escola!

4. Ainda sobre o descalabro do nosso ensino: e os alunos, são estimulados em casa pelos Pais ao esforço, ao trabalho e à disciplina?

5. E que dizer da “indústria” das explicações que funciona como a “papa de engorda dos frangos de aviário”, salvo raras excepções?

6. As revistas chamadas “do coração” ou “rosa” deram notícia, como de algo extremamente relevante para a felicidade dos portugueses, de que “Cinha” Jardim tinha gasto 4000 (quatro mil) euros numa operação de rejuvestimento(!). Será que esta senhora do “jet set” ficou mais nova por dentro, na sua essência? Mas cada um faz do seu dinheiro o que deseja… há desejos um pouco éfemeros…

Como é que reagirá uma família onde há desemprego e falta o essencial para (sobre) viver?

7. “Mais vida Mais Família” merece o meu apoio incondicional. O reforço da protecção da vida e dignidade de cada ser humano, é a sua reivindicação essencial.

Já assinei a sua petição a favor da vida. E o leitor por que espera?




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