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Eleições à vista em Espanha

No próximo dia 14 de Março vão às urnas nuestros hermanos para eleger o partido que irá formar governo. Dada a ligação histórica de Portugal com o País vizinho e a boa vizinhança não nos é indiferente o destino dessa grande Nação que tem vindo a marcar pontos dentro da União Europeia à qual, para o bem e para o mal, também pertencemos.

N/D
30 Jan 2004

Durante séculos, seguimos um caminho político semelhante: ambos fomos governados por reis, heróis uns, cobardes outros, machos ibéricos muitos, deixando mais filhos bastardos que legítimos.
Mas outros houve que, por serem impotentes, até cria-ram problemas de sucessão. Patriotas sem excepção! Mártires alguns, tementes a Deus todos. Ambos os países evoluíram infelizmente para regimes de força, sem arrepiar caminho, mesmo depois de finda a segunda Guerra Mundial.

Pese embora a contestação e pressão dos Estados Unidos da América e da Europa civilizada, no sentido de se democratizarem, à semelhança do que se estava a fazer por toda a Europa ocidental, saída de uma guerra que a havia devastado.

Só é de lamentar que Salazar, homem de finanças públicas, tenha preferido o entesouramento ao investimento público, legando pepitas de ouro que os desvarios dos governos provisórios, pressionados pelos extremismos revolucionários, avalizados por sectores militares, que mudaram de cor da noite para o dia, após o 25 de Abril, aproveitaram para eliminar défices sucessivos resultantes de uma governação à toa, sem rei nem roque, à margem dos partidos democráticos.

O generalíssimo Franco, bem pelo contrário, preferiu apostar na reconstrução da Espanha, dotando-a de infra estruturas, a começar por rasgá-la em todos os sentidos e direcções com extensas vias de comunicação por terra e ar.

De comum, ambos morreram na cama a tempo e horas de não assistirem ao sol da liberdade! Sol que começou a espreitar e iluminar toda a Península Ibérica, saltando por cima dos Pirinéus – luzes da Revolução Francesa que tardavam em chegar. E nós continuamos, ainda hoje, com o saudosismo dos mares nunca dantes navegados, em busca de soluções que nos aproximem, como a Espanha, do pelotão da frente.

Daí o pessimismo, aliás sem sentido, do homem forte do grupo Melo. Temos muito que aprender com essa nova esperança que é hoje Aznar.

Do editorial do “El País” de 25 de Janeiro, ressalta que, com base numa sondagem do Instituto Opina, para este diário, o Partido Popular perde votos e lugares, mas com uma vantagem de 5,5 pontos sobre os socialistas, mantendo-se próximo da maioria absoluta. Quatro em cada dez, ainda não decidiram em quem votar no próximo dia 14 de Março; 55,9% desejam uma mudança de partido no Governo; 64% dos entrevistados acredita que Mariano Rajoy será o próximo presidente do Governo; os populares contam com 42,5% dos votos – 2,3 pontos menos que nas eleições de 2000 -, o que lhes permite alcançar entre 171 e 175 deputados, e o PSOE obteria de 135 a 138. A maioria absoluta situa-se em 176 deputados. O juízo dos entrevistados, sobre Mariano Rajoy como líder, mantém-se.

A sondagem está matizada por três dados – o elevado número de indecisos, o escasso apoio que recebe o PP fora do espaço do seu eleitorado fiel e a vontade de mudança que exprimem os cidadãos. Há indícios de que o PSOE ainda não conseguiu afirmar-se como alternativa credível. Contudo, Rajoy e o PP são mais credíveis que seus rivais, segundo o editorial, para resolver os problemas que mais preocupam os espanhóis: crescimento económico, criação de emprego, terrorismo e segurança pública.

O PSOE leva vantagem em políticas sociais. Mas entre elas só a habitação e a imigração estão na primeira linha das preocupações dos cidadãos. E nesta área Rajoy vai à frente de Zapatero.

Aqui também o próprio Partido socialista consegue melhor votação do que seu líder. Cerca de 55,9% deseja mudança de partido no governo, mas isso não se traduz na expectativa de votação.

Há vontade de mudança, mas o PSOE não consegue capitalizá-la em termos de votos. Depois de 8 anos de governo popular, o eleitorado confia mais no PP que no PSOE para enfrentar os problemas de corrupção.

Felipe González, quando chefe do Governo espanhol, ficou politicamente encurralado pela avalancha de escândalos que desabou nos últimos meses da sua governação, sobre dirigentes e ex-dirigentes do PSOE, membros do Governo e seus «homens de confiança». E por toda a Europa não paravam de rebentar os escândalos: Até Miterrand, não saiu completamente limpo das «trapalhadas» do seu amigo Bernard Tapie, para não falar no suicídio do ex-primeiro-ministro socialista Pierre Bérégovoy, em 1993, e outros negócios obscuros relacionados com o financiamento das campanhas eleitorais do PS francês e do próprio Presidente. Para só falar deste exemplo fora de portas. E Filipe não merecia isso. E o PSOE, hoje, ainda se vai ressentindo dessas fraquezas humanas que afastam o eleitorado.

Os programas dos partidos socialistas, na área social, são, certamente, subscritos por todos os homens tocados pelo humanismo. Mas pecam por prometer muito e dar mais do que é possível. Daí o descalabro financeiro quando têm de assumir responsabilidades governativas.

São sempre heranças pesadas que transitam para os Governos que lhes têm de suceder.

O homem que em Outubro de 1997, dirigindo-se ao Congresso do seu Partido, disse: «Justiça ao trabalho sim, mas a flexibilidade é um dado adquirido», acaba de sair incólume de duas grandes batalhas.

Mais disse: «O Congresso é o órgão superior do Partido. E eu respeito-o muito. Mas agora sou primeiro-ministro e tenho de governar para quem me elegeu. Deliberem o que quiser mas quem governa sou eu». Congratulations Tony Blair.




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