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O grande tabu

Mais um tabu caiu». Assim abrem muitos noticiários revelando, com um incontido ar vitorioso, que mais uma série de velhas regras da aldeia foram quebradas. Como se as grandes inscrições nos genes da humanidade se limpassem com um mágico detergente directamente importado da Tailândia, à venda em qualquer botica de segunda.

N/D
29 Jan 2004

Muitas dessas «leis retrógradas» regressam quando menos se pensa e, por vezes, com uma vindicta cruel, a quantos se esqueceram que as grandes directrizes, antes de inscritas num código qualquer, fazem parte do património da vida e, em particular, da vida humana. Isto não quer dizer que a humanidade não procure derrubar muros ancestrais e vencer dores, medos e fantasmas. Mas importa separar muito bem o terreno manipulável daquele que ontologicamente tanto pertence ao passado como ao futuro. A forma como, entre nós, alguns sectores estão a reabrir o debate sobre o aborto, incorre nessa tremenda confusão, lançando para análise de conveniência o que ultrapassa toda a capacidade de tratamento legal, pois de uma vida humana se trata.
Mas há um tabu em que ninguém se atreve a tocar. Perante o qual todos se dobram, veneram, confundem, silenciam, voltando continuamente ao perplexo ponto de partida. Ricos, sábios e poderosos. Nenhuma arrogância ou falácia lhe resiste. Trata-se da morte. Nada no mundo acontece que deixe, como a morte, o ser humano voltado para dentro, mergulhado numa floresta de porquês.

A morte, em combate, de um desportista de alta competição, deixou todos, numa noite invernia de domingo, com o coração magoado, a bater forte e célere, por um coração frágil que deixou de bater.

Ninguém informou que «mais um tabu» caiu. Apesar de os cristãos, pela sua fé, há muito o terem vencido.




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