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Questões no tempo que passa

Um olhar sobre o país leva-nos a concluir por uma concentração demográfica no litoral e nas duas maiores cidades: Lisboa e Porto.

N/D
28 Jan 2004

O crescimento populacional supõe-se em travagem e zonas existem no interior onde se acentua a desertificação. Esta imagem do país real não é nova e foi bem visível no período de incêndios do ano findo.
É, pois, difícil comentar ou inverter uma realidade, quando os atractivos paisagísticos e o ambiente despoluído dessas regiões não chegam para cativar o cidadão, que apenas em férias ou curta estadia procura tais encantos da natureza. Ao Estado a Constituição atribui a promoção e desenvolvimento de todo o território… (art.º 9).

É incumbência do Estado uma política de ordenamento geral do território apoiada em planos de urbanização… (Art.º 65).

Será que estas tarefas têm merecido empenhamento ou preocupação suficiente, para fomentar indústria, emprego, medidas atractivas e motivadoras capazes de inverter a situação actual no curto prazo?

Melhorar as principais vias de comunicação rodoviária e ferroviária, ligando com rapidez as principais cidades, centros de desenvolvimento e zonas suburbanas, não chega se as restantes zonas do país não tiverem também bons acessos e investimentos que cativem investidores e o cidadão em geral. A agricultura, obedecendo ou não a directivas, e mesmo a pequena agricultura familiar, necessita de ser incentivada.

A política de preços será considerada, quando o pão, essencial na alimentação, tem aumentos muito superiores aos salários, sem ter em consideração as dificuldades económicas da população?

Os fundos comunitários sensatamente aplicados, será que produzem os efeitos desejados, ajudando e desenvolvendo sectores considerados vitais na criação de emprego e desenvolvimento?

A floresta que tanto preocupa como incomoda no Verão, dada a persistência com que surgem os incêndios, vai alterar, deixando de correr para o eucaliptal? As medidas entretanto postas em prática vão responder e solucionar as questões antigas, causadoras de tanta opinião e discórdia?

Modernizar o país é também resolver o problema que anualmente se repete, quando milhares de licenciados passam de estudantes a desempregados, por falta de colocação no mercado do trabalho.

Que perspectivas tem 2004 para os milhares de jovens no desemprego? Não sendo fácil ao Estado resolver o problema é também sua tarefa prevista constitucionalmente (art.º 58); daí a curiosidade e esperança dos portugueses nas medidas que venham a ser tomadas.

Aviões, auto-estradas, comboios de alta velocidade, significam também progresso, evolução e são certamente necessários ao país. Porém, a maioria dos cidadãos necessita de estradas secundárias transitáveis, transportes suburbanos, segurança social, escolas, hospitais, médicos de família, solidariedade nacional, emprego e apoio à família.

Neste olhar sobre questões no tempo que passa, não existe crítica política ou referência a órgãos decisores; é apenas um olhar, uma reflexão, um pensar o país que somos, verificando factos e situações que preocupam o cidadão e a todos dizem respeito.

Competir com o exterior é cada vez mais difícil; mas o nosso interior parece demasiado parado, depois de quase três décadas passadas do “25 de Abril”. São problemas nossos e é ao país que compete resolvê-los. Certamente, é mais fácil falar que executar, mas a participação na vida pública implica também a liberdade de expressão, referindo situações que no tempo o nosso olhar vai registando.




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