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«Cada tiro, cada melro» – cenas de um político português

O desespero é evidente, o desnorte está a olhos vistos e não parece haver remédio para o desmoronamento da estrutura de Ferro. Aquilo que temos assistido nos últimos tempos no PS sob a liderança de Ferro Rodrigues pode caracterizar-se com uma frase bastante comum aos ouvidos dos portugueses: «cada tiro, cada melro». Não fosse a minha particular antipatia pelas caçadas e os desportos que envolvem armas fogo, não por desconsideração para com quem as pratica, mas antes por incompatibilidade com as ditas armas, e pediria desde já desculpa aos caçadores portugueses pela comparação da sua arte com um descalabro tão evidente como é Ferro e o PS dos últimos tempos.

N/D
27 Jan 2004

Se olharmos bem para o panorama político dos últimos tempos, podemos ver que também é um facto que os acontecimentos não ajudam em nada o líder e o partido, mas acredito que cada um faz a sua sorte e o facto é que Ferro chafurda na lama cada vez que tem uma oportunidade, por mínima que seja. Como se não bastasse a fragilidade do partido, adoptou aquele discurso de oposição aborrecida, cansativa, que parece ter engolido um disco riscado… como que se estivesse a aprender com os seus camaradas à esquerda!
A última invenção foi a colocação de outdoors em Lisboa, que usam uma técnica de marketing já batida e usada em actos eleitorais anteriores, e que pretendem denunciar a suposta falta de cumprimento de promessas eleitorais de Santana Lopes… Não entrando no campo da discussão da veracidade ou falsidade das inscrições dos referidos outdoors, visto que de Lisboa se trata e não de Braga, devo apenas sublinhar a atitude em si que leva um líder nacional do maior partido da oposição a envolver-se directamente numa “luta” que deveria ser desencadeada e encabeçada pela alternativa ao presidente Santana, para que os lisboetas conhecessem as caras da alternativa… Ou será que essa alternativa não existe?

No meio disto tudo, a mais prejudicada é a instituição democrática que sem oposição que dê trabalho a este governo, que critique construtivamente e que se assuma como uma verdadeira alternativa, a democracia perde e o próprio governo vê por um lado facilitada a sua tarefa, mas por outro não dispõe dos frutos do debate político “puro e duro”, que muito pode fazer pelo futuro do País.

Governar sem oposição que valha a pena é como governar sem brilho e o aparelho democrático só perde com esta situação.

Disse uma vez que Ferro era fraco, mas hoje Ferro é mais do que fraco, é fraquíssimo. Portugal e a democracia precisam urgentemente de uma oposição credível que equilibre a balança, que “obrigue” a máquina democrática a funcionar e que por isso mesmo nos faça olhar para a política com outros olhos…

P.S. – Não posso deixar de manifestar aqui o meu profundo pesar pelos acontecimentos trágicos ocorridos no passado Domingo com o jogador Miklos Féher. Como simpatizante do Benfica e como elemento envolvido na organização de eventos desportivos, não posso deixar de demonstrar a minha consternação pelo ocorrido, visto que se tratava de um desportista de alta competição que teve o infortúnio de sofrer uma morte que hoje é uma das principais causas de morte dos jovens da minha idade e da idade de Féher. As minhas sinceras condolências à família, amigos, adeptos, colegas, dirigentes, agentes desportivos e amantes do desporto na generalidade.




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