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A Justiça na sua manifestação huma-

A Justiça na sua manifestação humana apresenta-se-nos como cega. Não concordo com esta concepção, até porque a mesma é administrada por humanos e, assim, é susceptível, e bem, de contextualização.

N/D
23 Jan 2004

Numa perspectiva mais intimista, sem contudo perder a objectividade, permito-me hoje discorrer sobre um amigo.
O amigo em causa, em tempos Presidente de uma Câmara, a de Vila Verde, é o Professor António Cerqueira.

Amigo de longa data, atrevo-me a dizer de antes de eu próprio ter nascido, porque amigo do meu pai, cimentou a amizade nas terras lindas de uma África que já foi lusa.

A razão desta crónica, pensada de uma forma diferente, surge como um grito de revolta e de satisfação.

Revolta, porque tudo o que faz sofrer um dos nossos, revolta-nos.

Satisfação, porque mais uma vez António Cerqueira prova a diferença entre os homens de têmpera e os outros.

Sem pretender perceber as razões que levam alguns a condenar um homem de obra, procuro antes realçar as virtudes de alguém que sempre foi um senhor.

Professor distinto em terras de nenhures, empreendedor em todas as terras, sempre, ontem como hoje, funcionou como exemplo.

Colocou Homoíne no mapa, deu outro sentido a Vila Verde.

Erros? Sem dúvida que os deve ter cometido!

Irregularidades? Só não as comete quem nada faz.

Homem de visão, levou luz a sítios onde as noites passaram a estar mais claras, água onde anteriormente tudo era secura, e estradas que permitiram a muitos chegar de forma mais rápida e segura.

Mas por razões que a justiça conhece, foi condenado a cumprimento de pena.

Fugiu? Não. Serenamente aguarda.

Enquanto cidadão, choca-me ver ladrões de bancos que nunca devolveram o dinheiro roubado, assassinos morais responsáveis por vários atentados sujeitos ao perdão. Refiro-me, como é óbvio, aos bandos armados das auto-intituladas FP 25 de Abril.

Se a classe política foi capaz de perdoar esses crimes, haja coragem política de perdoar irregularidades menores, muitas vezes feitas por manifesta vontade de servir uma comunidade.

Aguardo a coerência de quem tem o poder de perdoar.

Mesmo assim, declaro: orgulho-me de ser amigo de António Cerqueira.




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