Fotografia:
Obrigado, Manuel Pinto

1. Presença semanal no “Diário do Minho”, durante três anos, o doutor Manuel Pinto despede-se hoje das nossas páginas.

N/D
19 Jan 2004

É uma despedida que nos custa – que me custa muito!… – mas que compreendo: aos diversos trabalhos a que dá vida, o ilustre docente universitário vai agora acrescentar funções de Provedor dos Leitores do Jornal de Notícias. Ora, como nem o tempo nem as forças físicas vão para além de certos limites, umas tarefas dificultam outras…
Como responsável deste jornal, confesso-me honrado com a sua colaboração. E como estou certo que os seus escritos, breves mas incisivos, semanalmente calavam fundo, levando os leitores à reflexão, também dou voz às suas vozes dizendo: Obrigado, Manuel Pinto!…

Neste agradecimento incluo o reconhecimento da sua disponibilidade para um projecto que, apenas por culpa da minha agenda expropriada, não pudemos erguer em tempo útil: a formação de um grupo capaz de reflectir sobre o “Diário do Minho”, de fora para dentro, corajosa e construtivamente.

Continuo a pensar que uma tal reflexão é necessária. Não vou, por isso, desistir do projecto; e ainda mantenho a esperança de, uma vez ou outra, contar, Manuel Pinto, com a sua opinião serena e sábia.

Entretanto, parabéns ao JN e aos seus leitores pelos benefícios que vão colher da lucidez do Provedor!…

2. E quão necessários estamos de lucidez, nesta fase de jornalismo-espectáculo, em que a criatividade desmedida ameaça o rigor; em que a forma ultrapassa o conteúdo. E depois há a pressa romântica, as expectativas voyeuristas das massas, a “profissionalização” das fontes e dos gabinetes de imagem onde se acumulam colaboradores – muitas vezes escolhidos depois de alguma periculosidade, real ou latente, em meia dúzia de textos…

Enfim, o Valium do poder é um potente sedativo!…

Não são, pois, excessivas as vozes que remetam o jornalismo para a busca incessante da verdade: umas vezes límpida como olhar de criança; outras, tão sórdida e lamacenta, tão distorcida e prostituída, tão fabricada e convencional.

Sem essa busca incessante, não há legitimidade no nosso trabalho…




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