Fotografia:
«Titanic»

Numa tarde, há pouco tempo, a Televisão resolveu passar, de novo, o filme «Titanic». Não é a primeira vez que o desastre do «Titanic» serve de tema para uma película. Em 1953 apareceu O afundamento do Titanic de Jean Negulesco, que obteve um Óscar para o melhor guião; em 1958 surgiu A última noite do Titanic de Ward Baker, sob a forma documental. O filme de agora é da autoria de James Cameron que conseguiu um filme de dimensões colossais, com custos que rondaram mais de 200 milhões de dólares. Ultrapassou o custo de realização do filme Ben-Hur, até agora a película mais cara.

N/D
17 Jan 2004

Tudo começou quando um explorador submarino encontrou os restos de um navio que veio a ser identificado como sendo o Titanic. A descoberta do retrato desenhado de uma jovem, conservado de modo pouco vulgar, leva-o a Rose, uma senhora centenária que afirma ser ela a retratada. Começa assim a recordação de um romance de juventude, mantido desconhecido de todos e que terminou com a tragédia de 14 para 15 de Abril de 1912 do Titanic.
O Titanic era um transatlântico inglês de 46 000 toneladas (um colosso para a altura), construído pela White Star Line, em 1911. Era considerado o maior e mais perfeito navio até então construído. Na sua viagem inaugural saiu de Southampton rumo a Nova Iorque, mas a 925 Km a sul do Grande Banco da Terra Nova e 2960 Km a leste de Nova Iorque chocou com um icebergue afundando-se com grande rapidez.

Conta-se que o construtor, homem sem fé, a manifestamente soberbo, mandou gravar no casco do navio a frase: “Nem Deus pode afundar este navio”. Conta-se também que foi exactamente no lugar dessa frase que chocou com o icebergue.

Como explicar que tal acidente atingisse as proporções que alcançou? O navio era considerado insubmersível pois tinha 16 compartimentos estanques. Foi essa afinal a razão de demora em fazer descer os salva-vidas – demoraram a descer cerca de 30 minutos depois do choque. Só passadas 5 horas chegaram os primeiros socorros, tendo morrido 1513 pessoas e salvaram-se 711.

Regressemos porém ao filme. James Cameron esmerou-se no guião, fazendo entrar numerosas personagens secundárias, mas que possuindo a sua própria história valorizaram o enredo. Lembro o capitão, a mãe de Rose, o engenheiro, os músicos, os amigos de Jack, o irlandês e o italiano, etc.

O filme apesar de relatar um tão grande desastre, não é aí que se detém – relata a história de amor de Rose, uma jovem rica, comprometida com Cal a quem não ama, e Jack, um jovem artista de vida libertina, de poucos recursos económicos e que ganhou ao jogo a viagem num tão luxuoso como caro navio.

A parte romântica peca pela maneira grotesca como mostra as reacções do pretendente despeitado e do seu maldoso criado. Também sabemos que qualquer filme ou programa televisivo mostra cenas de intimidade no campo sexual, para obter audiência. Os fins não justificam os meios, mas este não precisava de «descer» a esse truque, pois impõem-se por si mesmo.

As cenas do salvamento são dramáticas. Os que conseguiram um escaler, longe de tentarem salvar os outros afastaram-se, insensíveis aos seus pedidos de socorro, com medo que o excesso de lotação levasse todos para o fundo. Os menos afortunados acabaram por morrer gelados e os seus corpos foram retirados da água, como que petrificados pelo gelo.

Conta-se também que na altura do embate decorria um baile e a orquestra tocava uma música alegre.

Quando o maestro se apercebeu do que tinha acontecido e que a tragédia era de tal proporções que provavelmente todos morreriam, começou a tocar um hino religioso, numa tentativa de ajudar a avivar a fé e assim ajudar os passageiros a preparar-se para bem morrer.

Como já disse os efeitos especiais são excelentes e deixam marca em quem vê o filme.




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