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Que valem os ‘abaixo-assinados’?

Meia volta ouvimos – e nalguns casos somos solicitados a participar – falar na realização de abaixo-assinados para as mais díspares situações, questões ou reivindicações. Desde que haja alguém a mover-se – sabe-se lá com que objectivos! – logo poderá surgir essa solicitação pseudo-popular do recurso aos abaixo-assinados. Temo-los visto para todos os gostos, nas mais variadas formas e feitios: contra a incineração, a petição pela Europa, a favor do aborto… visando a contestação de pessoas, evidenciando casos a pressionar, exigindo soluções a condicionar…

N/D
17 Jan 2004

Mas, desde logo, fica a dúvida: que legitimidade há (houve ou poderá a haver) para aceitar esta forma de expressão da (dita) vontade popular? Que credibilidade nos merece – tanto no número apresentado ou do que é possivelmente representativo – essa forma de pretender participar nas decisões públicas ou de influência publicitada? Quem controla a veracidade da identificação dos intervenientes, seja pelo nome apenso, pelo número do bilhete de identidade (nem sempre presente) ou na assinatura?
De facto, esses abaixo-assinados – tanto no gesto como nas pessoas que assinaram – podem servir de mecanismo de pressão, mas quem se impressionará com tal manipulação de sabor popularucho?

Muitos dos abaixo-assinados tem por mentores/dinamizadores/proponentes pessoas interessadas naquilo que propõem àqueles que pretendem trazer para essa causa; logo essa atitude poderá roçar um certo arranjismo pessoal, de classe, de grupo de pressão ou corporativismo inverso – nalguns casos em concorrência – àquilo que se contesta, pressiona ou desejar influenciar.

Quantas vezes os ditos abaixo-assinados nos surgem como a arma dos derrotados; veja-se a mais recente tentativa dos defensores do aborto, vencidos (mas, segundo crêem, não convencidos) no (esboço, porque não vinculativo) de referendo de 1998! Quantas vezes os proponentes dos abaixo-assinados assomam à janela das pretensões como ressentidos por algo que não viram satisfeito; veja-se a pretensão do pedido pela inclusão do nome de Deus na Constituição europeia!

Quantas vezes os dinamizadores dos abaixo-assinados nos surgem como anónimos a tentar aparecer ou ‘notáveis’ a fazerem-se passar por populares; veja-se certas movimentações contra pessoas, tanto na política como no sector laboral ou ainda em questões relacionadas com a Igreja.
Afinal, os abaixo-assinados valem o que quisermos que eles valham. Os abaixo-assinados podem ser indicativos, mas não são (certamente) vinculativos. Os abaixo-assinados não podem servir oportunistas nem cobardes.

E, já agora, concorda com esta opinião? Tem todo o direito a discordar… enquanto quiser dar a sua apreciação.




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