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O exemplo de Ozanam

António Frederico Ozanam nasceu em Milão em 23 de Abril de 1813 e faleceu em Marselha no dia 8 de Setembro de 1853. Foi um dos homens que em pouco tempo – esteve do lado de cá apenas quarenta anos – percorreu uma longa carreira.

N/D
15 Jan 2004

Doutorado em Direito e em Letras, foi um brilhante professor universitário. Mas o que mais o celebrizou e contribuiu para que o seu nome seja recordado com frequência reside no facto de ter sido o principal fundador das Conferências de São Vicente de Paulo, que hoje têm ao serviço dos pobres um grande número de pessoas.
Ultrapassada uma crise de fé que o atingiu aos quinze anos, tornou-se um católico convicto e dedicou-se a uma incansável actividade apostólica. E para mostrar que a fé deve ser levada para a vida e não ficar apenas num conjunto de palavras, entregou-se à prática da caridade através de um compromisso efectivo com o serviço dos pobres. Com um grupo de companheiros de ideal fundou em Paris a Conferência da Caridade, mais tarde chamada Conferência de São Vicente de Paulo.

Aprovado o primeiro Regulamento em 1835, Frederico Ozanam dedicou-se à divulgação das Conferências, combatendo as injustiças através da prática da caridade, convencido de que nenhuma sociedade pode aceitar a miséria como uma fatalidade sem comprometer a sua honorabilidade.

A propósito do 150.º aniversário da morte de Ozanam, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou em 13 de Novembro uma Nota Pastoral que deve ser amplamente divulgada, para que seja lida e reflectida.

Nela os Bispos querem expressar o seu «apoio e saudar com paternal estima os milhares de vicentinos e vicentinas portugueses que, a exemplo do seu Fundador, organizados em grupos de acção, com fidelidade, procuram aprofundar o sentido da fé na oração, no estudo da Palavra de Deus e na visita domiciliária ao pobre, esforçando-se por dar testemunho da sua fé no exercício permanente da caridade, junto dos doentes, dos reclusos, dos idosos, das crianças e de toda a espécie de carenciados, sem olhar nem à idade, nem à condição social, nem à religião. A única razão que os move é seguir o exemplo de Cristo que lavou os pés aos Apóstolos e disse: “dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, façais vós também” (Jo 13, 15). Confiamos, acrescentam, que a comemoração dos 150 anos da morte de Ozanam seja uma boa oportunidade para reavivar o carisma vicentino e atrair às Conferências de São Vicente de Paulo novos membros dotados do ardor caritativo do jovem estudante de Paris e do talento intelectual do académico da Sorbonne».

Na Encíclica “Novo millenio ineunte” (No início do novo milénio) João Paulo II diz ser «hora duma nova fantasia da caridade, que se manifeste não só nem sobretudo na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna». E acrescenta: «A caridade das obras garante uma força inequivocável à caridade das palavras» (n.º 50).

Na Exortação apostólica “Pastores gregis” (Pastores do rebanho), no n.º 73, lembra aos Bispos o exemplo de São Basílio que quis construir, mesmo às portas de Cesareia, uma vasta estrutura de acolhimento para os necessitados, uma verdadeira cidadela da caridade.

Continuo a pensar que as comunidades cristãs não podem ficar indiferentes à pobreza passiva – isto é, às situações de miséria – existente no seu seio. Porque permanece actual o exemplo de Frederico Ozanam, é imperioso que as pessoas mais sensibilizadas se organizem constituindo Conferências de São Vicente de Paulo, equipas sócio-caritativas ou instituições do género. Que sejam a voz dos sem-voz, ajudando as pessoas a saberem usar dos seus direitos, despertando quem tem possibilidades para o dever de partilhar, chamando a atenção dos poderes públicos para a prática de uma verdadeira justiça social e para a gestão cada vez mais solidária e, sempre que seja caso disso, menos faustosa dos dinheiros da comunidade.




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