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Pedófilos e pedofilia

Qualquer sociedade humana se rege por um conjunto de princípios gerais e geralmente aceites. Princípios de ordem moral, social e jurídica. Creio que é a sequência correcta e equilibrante de qualquer comunidade humana. As fundações, os princípios estruturantes, são de natureza moral que devem banhar e impregnar o agir e o sentir da sociedade. As normas e preceitos jurídicos moderam e apoiam o cumprimento das normas sociais.

N/D
14 Jan 2004

Com a evolução da sociedade verificada a partir da década de 60 do século XX, aquela foi-se tornando cada vez mais permissiva e relativista. Tudo se aceita, ao sabor de modas e de influências. Tudo é relativo. Por isso, as normas morais foram postas em causa – lembram-se do “é proibido proibir?”
Relativizadas. Feitas, progressivamente, ao sabor de cada um. Cada pessoa, sua moral. Dizer o contrário é correr o risco de ser postergado e apontado de “homem da pedra lascada!”

No campo da sexualidade humana, começou por se poluir o Amor. Passaram a usar-se expressões tais como “fazer amor”, sinónimo de ter relações sexuais. Depois o conceito e a vivência do chamado “amor livre”, sexo sem regras, nem peias. Promíscuo. Descartável. Efémero como um foguete que, estourando, desaparece. Separou-se o Amor, reduzido a Eros, da sexualidade. Podem-se ter relações sexuais se tal me dá prazer. É o hiperindividualismo sexual, que foi levado à máxima potência com a liberalização do aborto ou com a “pílula do dia seguinte” – resposta para a irresponsabilidade.

Os escritores bem pensantes, os filósofos na moda, certos teólogos de vanguarda ou jornalistas sensacionalistas, encarregam–se de inundar a sociedade de sexo. A propósito de tudo. Em todos os lugares. Sexo “à la carte”. Permissivo até mais não: sexo em grupo, sexo em bordel, sexo na rua, muito sexo nas escolas, imenso na publicidade, com cara de grande modernidade nas chamadas “revistas do coração”. Homo e heterossexual, tudo igual e permitido. Muito.

E não contentes com o “sexo por escrito” (livros, folhetos, desdobráveis, etc.) nem com o “sexo em imagem” (soft ou hardcore, nas televisões, em vídeos, fotografias, revistas, etc.), eis senão quando surge o cibersexo (navegando na net em busca de… sexo!). Tudo é permitido. Tolerado. A tudo se acha bem porque moderno. Modernaço!

Assim, a moral que regia “tant pis que mal” a sociedade, entrou em derrocada. A sociedade deixou de ter como referência os valores morais. Mas também não passou a reger-se por “valores” que se opõem à moral. Passamos à sociedade actual que é pior do que imoral. É amoral. Com este “bilhete de identidade”, a sociedade (todos nós, afinal!) entendeu mudar atitudes e comportamentos – permissivos, relativistas e amorais. Tudo passou a ser aceite, sobretudo o que destruía a “antiga sociedade burguesa”. E no campo da justiça teve que haver adaptações a estas novas realidades. Por exemplo determinados comportamentos deixaram de ser crime ou reprovados: o divórcio generalizou-se, a pornografia está aí por todo o lado, explorou-se ao máximo o erotismo. Não há pecado nem mal. Afinal o que é isso, uma sociedade amoral?

Restam, contudo, ainda algumas áreas que merecem respeito e em relação às quais ainda há normas morais. A pedofilia está neste caso.

Mas não estará a sociedade em contradição consigo própria? Não se estimula e promove o sexo, sob qualquer forma e em qualquer lugar? Não há “sites” na Internet exclusivamente dedicados à pornografia infantil? Não há videocassetes de igual jaez? Não se tem promovido uma certa sexualidade desbragada junto de crianças e jovens?

Perante esta sociedade que tudo aceita, felizmente ainda há réstias de luz! Ainda se respeitam as crianças apesar de elas serem vítimas todos os dias, muitas horas por dia, de mensagens sexualistas, despudoradamente vergonhosas: nos anúncios, nas novelas (algumas!), nas canções em voga, em cenas obscenas de rua, no despudor exibicionista das praias (o que é o “topless” ou o nudismo?), no indiferentismo calado de tantos pais e na “lavagem ao cérebro” de inúmeras campanhas ditas de saúde pública.

Desprevenidas, mal formadas e pouco informadas, as crianças são vítimas fáceis de indivíduos com comportamentos infames. Contra a pedofilia só há uma boa solução: que os pais amem os seus filhos e os escutem. Que os pais sejam, de facto, «os primeiros e principais educadores» dos seus filhos, sabendo exercer a autoridade amorosamente e a escuta activa, informando e formando os filhos sobre o amor e a sexualidade humana.

Quanto aos pedófilos só nos resta sermos intolerantes face ao seu comportamento de “outsiders”.

Compete aos tribunais exercer a justiça, com rigor e sem complacência para com estes casos de abuso de crianças, sobretudo se elas acumularem com o facto de serem crianças de famílias negligentes, ausentes e disfuncionantes. Os julgamentos têm sede própria que não é a rua ou a comunicação social. A esta compete a denúncia; àqueles, julgar os prevaricadores.




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