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768. Senhor Primeiro-Ministro:

1. Costuma-se dizer, em cada Janeiro, que ANO NOVO, VIDA NOVA. Agora dizemos ANO NOVO, PREÇOS NOVOS, como se ninguém tivesse mão, nem mesmo qualquer dama de ferro, nesta economia, globalizada e neoliberal, a galopar, loucamente, nem se sabe para onde.

N/D
14 Jan 2004

Daí que, olhando à nossa volta, a tanga e a crise pareça relativa e paradoxal. E, de país a duas velocidades, passamos a país a duas carteiras: os que têm muito e os que nada ou pouco têm (a classe média está a desaparecer); ou a país de listas de espera, seja para aquisição de automóveis de luxo, seja para consultas ou cirurgias hospitalares; ou a país de condomínios fechados e de luxo versus extensos bairros de lata!
Porém, na sua Mensagem de Natal garantiu que o pior já passou, a economia europeia dá sinais de crescimento e também em Portugal o novo ano será um ano melhor, um ano de recuperação.

Mas, quem vai acreditar em tão generosas e doces palavras? Nem com muita pimenta ou molho verde! Porque a coisa é bem óbvia e linear e, como em qualquer economia caseira ou de mercearia, quando o deve transcende o haver, o tiro sai pela culatra!

Depois, não ouvimos falar em diminuição do desemprego, em aumento dos salários reais, na descida do custo de vida e de impostos, no emprego para os jovens, no crescimento económico, na melhor distribuição da riqueza, etc., etc., etc.

Como pode, assim, 2004 ser um ano melhor, de retoma e de esperança? Obviamente que só como chicotada psicológica no estado de miserabilismo, lamúria e pessimismo nacional, a sua mensagem se justifica e recomenda, já que não vai trazer real felicidade, nem proveito às carteiras portuguesas. E, como tal, não passa de um facto politicamente incorrecto!

2. Por isso, Maria (nome internacional de mulher, tipicamente português, lindo!), esposa de João e mãe de Maria e José, tem um problema, ou melhor, um monte de problemas. É que a vida está pela hora da morte, o dinheiro está caro e é preciso muita ginástica para chegar ao fim do mês!

Como dona de casa, Maria sabe, Maria sente que não pode gastar mais do que o que ganha, não pode desequilibrar a balança e, muito menos, para o prato do deve! Mas a coisa está preta!

Sobe o pão, o sabão, o algodão, o feijão, o macarrão, a contribuição, a tangerina, a gasolina e… a aflição; sobe a água, o transporte, a luz, o telefone, o saneamento, o medicamento e… o sofrimento!
Desce o juro, a poupança, a capitalização, o aforro, o poder de compra, a auto-estima, a oniomania, a alegria, o rendimento e… o contentamento!

E Maria, senhor Primeiro-Ministro, não ouve Mensagens de Natal de Primeiros-ministros, nem de Ano Novo de presidentes da República, porque Maria sabe, Maria sente que a vida está pela hora da morte, o dinheiro está caro, o dinheiro não chega e é preciso muita ginástica para chegar ao fim do mês! E, assim, vai empobrecendo… alegremente!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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