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Lições do “gato a pastar”!

Ainda há dias presenciei – mesmo que numa zona urbana – uma cena da vida rural: um gato, bem nutrido, anafado e cortês, tesourando num parque público umas ténues ervas, degustando esse seu equilíbrio somático da condição de felino. E logo me surgiram perguntas, porventura, néscias: qual a razão do bichano andar em busca das ervas que lhe fazem faltam? Como é que ele conhece tal necessidade? Onde aprendeu a distinguir, por entre as várias propostas, as ervas benéficas e as que pouco ou nada o ajudariam nessa tarefa homeopática?

N/D
9 Jan 2004

Atendendo a que o gato nem é – normalmente dito, se bem que seja questionável com tantos produtos mesclados com que agora são alimentados os bichos – herbívoro poderemos discernir nesta simbologia do “gato a pastar” algo mais racional do nosso comportamento pessoal e colectivo:
* Quando a Europa anda titubeante sobre as suas raízes sem saber como vai enfrentar os novos desafios da sua construção e alargamento;

* Quando vemos pessoas responsáveis pela res-pública (a coisa pública) confundirem interesses grupais ou corporativos sob um certo menosprezo bem comum;

* Quando se sente no ar a dúvida sobre a independência da justiça só porque estão envolvidas certas figuras/figurões famosas/os ou que assim se entendem denotativamente;

* Quando ficam por denunciar – ao menos no reino da palavra – acções nefastas porque há conluios a defender;

* Quando vemos pulular promoções ao sabor da aparência económica, partidária ou ao nível eclesial;

* Quando a comunicação social (em geral e a televisiva em particular) parece mais intoxicar do que informar…

Então ver aquele “gato a pastar” torna–se como que uma linguagem parabólica do que devemos desenfastiar, sabendo escolher quais as ervas medicinais no prado da grande concorrência. Assim saibam os humanos discernir o que devem tomar em ordem a essa purga urgente a levar a cabo em tantos lugares, espaços, instituições ou ao nível do Estado, da Igreja, etc.

Agora que entramos num novo ano, tentemos ajudar-nos a ver com seriedade o que poderá contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna, solidária e… humana!




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