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Desporto profissional

É evidente que respeito todas as opiniões em contrário, mas a verdade é que discordo convictamente do desporto profissional. Entendo o desporto como uma forma de diversão, como uma forma de ocupar os tempos livres e, em certos casos, como uma obrigação, dada a existência de práticas desportivas recomendadas a quem queira cumprir o dever de cuidar da própria saúde.

N/D
8 Jan 2004

Anexa à profissionalização do desporto há a comercialização do mesmo. Comercialização geradora de negócios que poderão nem sempre ser muito claros. Comercialização que como que converte o ser humano em objecto de compra e venda (Até se fala na abertura do mercado como sinónimo do começo do período de transferências de profissionais do desporto). Comercialização que movimenta elevadas verbas e faz com que se canalizem para aí dinheiros públicos que, na minha perspectiva, deveriam ter outra aplicação.
Posso estar enganado, mas estou persuadido de que, se o desporto não fosse uma profissão, certamente que se não fariam os contratos que se fazem. Certamente que se não endeusariam tanto as pessoas. Certamente que os clubes se contentariam com a prata da casa. Certamente que se não ouviriam tantas queixas contra as arbitragens. Certamente que não seriam necessários recintos desportivos tão caros. Certamente que os preços dos bilhetes seriam mais baratos. Certamente que se não movimentariam, à volta do desporto, tantos interesses. Certamente que não haveria, antes das provas, tanta guerra psicológica e tanta desinformação. Certamente que se não politizaria tanto o desporto.

É claro que se não evitariam males como o palavrão e o insulto com que se sublinham certas jogadas e certas decisões. Certamente que se não evitariam gestos condenáveis de claques fanáticas. Esse é um outro capítulo ligado ao fenómeno desportivo. Trata-se da prática do desportivismo no desporto. Trata-se do saber ganhar e do saber perder. Trata-se do aceitar que o outro tenha sido mais capaz e mais hábil. Trata-se de uma questão de educação e de civismo, que cada vez vai rareando mais nesta sociedade do vale-tudo onde se actua como se os fins justificassem os meios e se puseram de lado, com consequências terrivelmente negativas, princípios e valores que são de manter e de respeitar.

Penso que todos lucraríamos se, em vez de ser competição que movimenta milhões de euros, o desporto fosse mais diversão. Se a prática desportiva fosse uma forma sadia de passar o tempo livre.

Se o desporto tivesse como finalidade o cuidado da saúde. Se o grande objectivo de um jogo não fosse a conquista de uma vitória a qualquer preço, mesmo pondo de lado princípios éticos que sempre deveriam ser observados. Se em vez do desporto profissional se fomentasse mais o desporto amador, investindo mais na existência de condições para a sua prática. Se no desporto houvesse mais praticantes mesmo que passasse a haver menos assistentes. Se a assistência a um espectáculo desportivo fosse mais uma forma de descanso do que um período de grande tensão.
Sei que isso, nos tempos actuais, é um sonho. Deixem-me, porém, sonhar, que até pode ser que, um dia, a obra nasça.




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