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2004: ano de acção e de reformas?

O ano de 2003 correu mal – pior seria difícil. Na verdade, foram muitos e sérios os problemas que o país enfrentou: desemprego, recessão económica, estagnação do investimento, défice orçamental, dívida pública, listas de espera nos hospitais, crise da justiça. A somar a tudo isto, o flagelo dos fogos florestais, o escândalo de pedofilia na Casa Pia, as demissões no Governo por corrupção ou favoritismo, etc., etc.

N/D
8 Jan 2004

Perante tantas e tais dificuldades, seria de esperar do Governo e do Parlamento uma acção firme e reformas afoitas que permitissem dar-lhes uma resposta urgente e adequada. Porém, não foi isso que sucedeu.
De uma maneira geral, o Executivo paralisou e a Assembleia da República foi incapaz de promover as reformas estruturais de que o Estado carece. Sem estratégia económica, sem um ensino tecnológico e superior adequado a suprir as graves deficiências de mão de obra qualificada, com uma administração pública pesada e ineficiente, com uma máquina e um regime fiscais obsoletos e incapazes de pôr cobro à fraude e à evasão fiscal, o Governo e a maioria parlamentar que o suporta claudicaram no cumprimento do programa com que se propuseram ao eleitorado e, em alguns casos, designadamente a nível de impostos, procederam mesmo ao contrário do que haviam anunciado em campanha eleitoral. E quando mais se fazia sentir a necessidade de uma oposição forte e credível, que desse o exemplo de dignidade e seriedade e que avançasse com ideias, propostas e medidas concretas para debelar a crise instalada, eis que o principal partido da oposição, por culpa própria, se deixou enredar na “novela judiciária” casapiana em que um dos seus principais elementos foi preso, constituído arguido e formalmente acusado.

Com um Governo frouxo e sem oposição, o país, de “tanga” vestido, mergulhou na ansiedade, na descrença e no sofrimento.

E é nestas circunstâncias que se prepara para enfrentar o desafio do novo ano.

Diz-se – e é verdade – que é nos piores dos momentos que se conhece a fibra dos povos como dos homens. Perante moléstias e adversidades, só aqueles que são realmente fortes e corajosos conseguirão levantar-se e prosseguir a sua marcha.

Ora, quero crer que uma Nação com mais de oito séculos e meio de história, que soube arrostar com crises bem mais preocupantes do que a presente, não pode nem deve deixar-se abater. E tem de reagir no seu todo. Governo e oposição. Sem oportunismos e sem demagogia. Sem desperdiçar o tempo em tacticismos rasteiros e guerras pessoais, como as que já são visíveis no seio dos partidos da maioria governamental com a extemporânea escolha de candidatos à Presidência da República, a três anos da respectiva eleição ou com a apresentação de um injustificado e alargado projecto de revisão constitucional que se não limita às necessárias e consensuais questões em matéria de autonomia regional, de limitação de mandatos ou de articulação da nossa lei fundamental com a futura Constituição europeia.

Para resolver os reais problemas do país, do que carecemos é de acção e de reformas.

É isso o que se exige da política e dos políticos para que 2004 seja um ano bem melhor do que o que ontem terminou.




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