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Contrastes na vida…

Na sociedade surgem contrastes com demasiada frequência que, quando avultados, prejudicam demasiado a sociedade e a sua evolução num sentido nobre e objectivo.

N/D
7 Jan 2004

Ultimamente assistimos a acontecimentos, até políticos, que fomentam na vida do cidadão o esquecimento dos grandes problemas que enobrecem a vida social e os próprios regimes políticos.
A moral, a virtude, a dignidade da pessoa humana já não contam e o trabalho busca, quando se realiza, o prazer e o comodismo pessoal, alheio aos legítimos interesses da pessoa humana.

Vê-se bem tudo isto entre nós. Nos órgãos de informação ocupam-se tempos e oportunidades a anunciar crimes, sexualidade e manejos políticos. Os factos que surgem na vida religiosa da gente não contam, a não ser referências ligeiras, breves, mesmo quando os factos são grandiosos e mobilizam as pessoas, como acontece com actos religiosos.

E nem sempre há a coragem de trazer para público afirmações objectivas, cristãs, que ajudam a pessoa a cuidar da sua si-tuação pessoal como católico na sociedade.

Uma revista espanhola “Alfa y Omega”, semanal, consagra escritores e artistas que se pronunciam com nobreza e objectividade sobre o problema que abordamos.

Citamos alguns, Eugénio Nasarre, político, disse: «Os católicos, que temos responsabilidades políticas, não actuamos muitas vezes com suficiente coerência com as nossas próprias convicções. A sociedade europeia e ocidental enfrenta-se agora com dois desafios de grande envergadura, que têm sérias implicações éticas. A defesa de valores fundamentais que afectam a dignidade humana e a sua liberdade tem de estar por cima de estratégias políticas ou de posições de partido. Como qualquer outro cidadão, que tem convicções, o católico tem o direito e o dever de oferecer os seus valores e de os colocar ao serviço da sociedade. Mas reconheço que hoje não é fácil um debate sério e democrático destas questões».

O filósofo e escritor José Ramón Ayllón penetra no âmbito do sofrimento e escreve: «Todos os homens de ciência, novelistas, filósofos e pensadores que seleccionei para em “Deus e os náufragos” tiveram vidas comovedoras e difíceis. Todos falam desde um profundo conhecimento da experiência humana, da dor e do sofrimento. Deus fala-nos por meio da nossa consciência e grita-nos por meio das nossas dores. Usa-os para despertar um mundo de surdos».

O actor Paul Newman é impressionante na sua linguagem, na sua simplicidade, e na humanidade.
Diz: «Na minha idade de 78 anos só posso dar graças ao Senhor por me ter, todavia, neste vale de lágrimas, mas também de alegrias. Ali em cima alguém me ama. A minha Fundação repartiu em beneficência, até agora, mais de 125 milhões de dólares. Ajudo os meninos necessitados e a combater a sida. Ajudar a quem sofre é um dever inevitável».

Citamos quem abordou o tema com objectividade, com respeito e com vontade de o viver e resolver.

Na sociedade em que nestes tempos vivemos, infelizmente essa vontade expressa não tem quem a sinta e quem a tente solucionar.

Há iniciativas maravilhosas em instituições católicas, mas que tem de recorrer à ajuda de instituições e de pessoas particulares.

Na quadra de Natal a iniciativa torna-se mais presente, pois as pessoas sentem essa época mais intimamente.

Acontece, porém, que os necessitados não existem, apenas, nas quadras festivas, e necessitam, evidentemente, de um serviço que os sirva e ajude a viver. É um problema grave da sociedade, que envolve os deveres políticos, pois esta só é digna quando dá primazia objectiva, real, e não apenas verbal, aos necessitados.

Temos ouvido políticos de vários quadrantes a reclamar uma melhor cons-ciência, a lembrar ajudas mais eficientes a quem necessita.

Ao ouvir estas vozes, (algumas já estiveram na governação) como acreditar nas palavras se as obras as contradizem?

Estamos a viver períodos graves de injustiças sociais e a ver políticos que falam sobre o tema, mas quando governaram o deixaram agravar.

Infelizmente, as forças políticas não cuidam da solução dos problemas que afectam a pessoa humana, cuidam, sobretudo, de garantir os seus lugares e de os gozar economicamente.

Lê-se na nossa história que os republicanos que implantaram a República não enriqueceram quando governantes; sabe-se que Salazar foi um governante que, após a morte, ninguém pôde acusá-lo de se haver governado financeiramente. Pelo contrário.

No plano internacional e mundial verifica-se a ambição do poder, e, alcançado, vêem-se os cidadãos a morrer de fome, as crianças a sucumbir à pobreza dos pais, e nesse ambiente infelizmente real, vêem-se políticos ricos, muito ricos à custa do sacrifício dos povos.

Para agravar mais este problema assistimos à política internacional dos grandes países a unirem-se cada vez mais para porem e disporem da finança.

Contraste singular: os ricos crescem com as carteiras e os cidadãos aumentam sem carteiras.
Oxalá que este novo ano traga mais responsabilidade aos políticos, governantes e governados, e mais respeito dos mesmos pelos seus deveres sociais, com destaque para as necessidades que no plano económico são fundamentais para garantir a vida da pessoa e proporcionar uma política séria e eficiente.

Desta forma teríamos um Ano Novo feliz.




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