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A jóia, o parque da Ponte e a Arcada

Está inaugurado o novo Estádio Municipal de Braga, das paixões, grande e imponente, a jóia dos novos estádios para o Euro-2004. Falta acabá-lo, sobretudo pagá-lo e, no que se refere a esta última premissa, estou convencido que muita água ainda irá correr debaixo da ponte. Continua intacta a minha convicção de que se gastou mais do que o que se devia e podia. Para as cerca de 30.000 pessoas que assistiram à inauguração com somente um terço do maior écran do mundo instalado, estou convicto que foi mais que suficiente essa terça parte do écran para a função que desempenha.

N/D
6 Jan 2004

O que nos poderá levar a concluir que se gastam milhões de Euros a mais sem necessidade, ou talvez por um bacoquismo que se tem enraizado. A jóia vem na mesma ordem de ideias. Confesso-lhes que o último modelo da Jaguar é uma jóia de um automóvel, belo, muito belo mesmo, e uma jóia da tecnologia. Não tem discussão possível. Estou tentado a comprá-lo. O meu banco empresta-me, com toda a certeza, dinheiro para o comprar. Os meus amigos vão tecer os maiores elogios àquela jóia de automóvel. Vou mesmo emprestá-lo a todos os meus conhecidos. Estou seguro que atingirei o máximo da popularidade. Posso pagá-lo? Necessito dele? Bom, pagá-lo posso, mas certamente privar-me-ei de muita coisa. Quanto a necessitar, é verdade que não. Eu sei que por um terço, ou um quarto do valor da jóia, comprarei um automóvel topo de gama. Mas porquê fazer isso? Já tomei uma decisão, vou comprar o Jaguar, só que vou pôr os meus amigos a pagá-lo. Assim é que deve ser, eu decido e eles pagam.
Mas como a procissão vai no adro, este assunto fascinante, que estou convencido que por si só dá um livro, por agora ficará por aqui. Até porque existem dois assuntos que já há muito tempo gostaria de abordar e que, por uma razão ou outra, têm ficado a aguardar melhores dias. Um prende-se com o parque da Ponte. Na minha modesta opinião, o parque deveria incorporar para, além da parte da estrada nacional que começa no final da Avenida da Liberdade, passa pela porta principal de acesso ao pavilhão e estádio, e termina no final do campo de futebol, junto ao clube dos caçadores, também a zona onde estavam acampados os ciganos e que vai servindo de parque de estacionamento em dias de jogo de futebol. Ou seja, o parque da Ponte podia e devia crescer, bastando somente fazer passar a parte final da estrada na-
cional mais a nascente, porventura até em túnel.

No entanto, quem passar naquela zona e olhar para o céu, certamente que irá reparar, como alguns de nós, na quantidade de aves de rapina que voam em círculo, o que talvez queira configurar que, também naquela zona do monte Picoto, haverá mais uma vítima do “desenvolvimento”.

Outro assunto, do qual não desarmarei nunca até que venha a ter desenvolvimento positivo, é o do edifício da Arcada. Já o venho apresentando há anos, primeiro como membro da Assembleia Municipal de Braga e depois no executivo camarário. É vergonhoso o aspecto de degradação do edifício que foi escolhido para representação da cidade de Braga na promoção do Euro-2004, e na maioria dos prospectos de promoção turística da cidade de Braga. O edifício da Arcada é uma marca da cidade de Braga, que alguns pretendem capital da cultura.

Exige-se uma intervenção do presidente da edilidade efectiva. Os proprietários, ou o maior proprietário, a Arquidiocese Bracarense, não serão certamente fontes de bloqueio na dignificação do edifício, ou na solução para a dignificação do edifício. Pelo contrário, a experiência vai-nos dizendo que são forças actuantes no sentido positivo de dignificação do património. O que tem existido é falta de vontade política e falta de empenho. Vamos receber o Euro-2004 com um estádio que custa milhões, expropriaram-se terrenos sem qualquer problema, e o edifício mais central da cidade, tal como está, só nos pode envergonhar.




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