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Triste e vil destino…

O Primeiro-Ministro de Portugal, na sua última visita oficial a Angola, falou apoteoticamente na imperiosidade de os Portugueses regressarem a África, terminada que está – pelo menos por enquanto – a guerra civil naquela antiga província portuguesa.

N/D
5 Jan 2004

Poucos dias volvidos sobre essa solene proclamação, o Governo português contratou a UBS (Union des Banques Suisses) para realizar a avaliação económica da barragem Hidroeléctrica de Cahora Bassa, empreendimento situado em Moçambique cujo capital pertence em 82% a Portugal. Segundo noticiou a comunicação social, o Executivo pretende vender 81% do capital desta barragem, que actualmente fornece energia à África do Sul, ao Zimbabué e a Moçambique, e passará em 2004 a ter também como cliente o Malawi.
A concretizar-se a venda da participação portuguesa na barragem, acabará por completo a última presença física de Portugal fora da Europa, alienando-se o último vestígio do que foi o império planetário português e perdendo-se uma significativa importância estratégica que, por via daquele empreendimento, o nosso País ainda detém na região…

Logo a seguir, no final de Novembro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros encerrou a embaixada portuguesa em Windoeck, capital da Namíbia, país onde residem cerca de 3.000 portugueses, ficando sem se saber, nessa altura, como seriam ali representados os interesses de Portugal (se é que Portugal ainda tem interesses…) e que assistência diplomática seria dada aos nossos concidadãos.

Com o encerramento da Embaixada da Namíbia, Portugal passou a ter na África Austral apenas quatro embaixadas (em Luanda, Harare, Pretória e em Maputo), e apenas mais oito em todo o resto da África subsahariana.

Enfim, ao mesmo tempo que apela aos Portugueses para investirem e regressarem a África, o Estado português parece estar em debandada deste continente.

É caso para perguntarmos: que política externa tem o Governo português para a África Austral?

Pelos vistos não tem projecto algum, nem para a África Austral nem para qualquer outra parte do planeta terra, a não ser, talvez, prosseguir a miserável e aleivosa política dos governos anteriores que se têm orientado por duas grandes linhas: a transformação iberizante de Portugal na mais nova e na mais pa-cífica província de Madrid e o desapa-recimento político do País como Estado Independente pela sua dissolução total na futura federação europeia dominada pelo eixo franco-alemão…

Triste e vil destino para quem é um dos mais antigos Estados do mundo e já possuiu um dos mais vastos impérios da História…




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