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Seja-me permitido fazer hoje aquilo

Seja-me permitido fazer hoje aquilo que neste espaço nunca fiz: tomar o Diário do Minho para motivo do meu texto. Ninguém me encomendou a prosa, mas havendo para ela motivo, não tenho que me sentir inibido de falar do jornal em que escrevo. É que o Diário entra, a partir desta semana, numa fase nova da sua vida.

N/D
5 Jan 2004

A notícia já é conhecida, mas provavelmente muitos leitores não se terão dado conta do seu real significado. Tendo sido escolhido para integrar uma rede de jornais regionais que passarão a constituir a “Rede Expresso”, o trabalho dos jornalistas e o próprio jornal como instituição iniciam uma colaboração que me parece prefigurar o que será, cada vez mais, o trabalho dos media locais e regionais no futuro: o trabalho em rede.
Não se trata apenas de ter matérias de actualidade regional publicadas no principal semanário do país. Neste caso, a estratégia interessa em primeiro lugar ao próprio Expresso e ao grupo a que pertence (e não deixa de ser curioso que aquele semanário designe a página em que reunirá a colaboração das diferentes regiões de Portugal como “país real” – é caso para perguntar: que país será o das restantes matérias que ocupam todas as outras páginas?).

Trata-se – tanto quanto se sabe – de criar e tirar partido de sinergias, quer ao nível especificamente jornalístico, quer da formação, da gestão, do marketing e da publicidade. O desafio, para ser vantajoso para as várias partes, vai ser muito exigente para quem não dispõe dos recursos do Expresso, como acontecerá à maioria dos seus novos parceiros. Mas recusar participar e explorar todas as virtualidades da rede agora criada teria sido enorme estultícia.

A escolha do Diário do Minho vem na sequência lógica dos dados apurados no primeiro grande estudo da Marktest sobre a audiência da imprensa regional portuguesa, recentemente divulgados, que colocam este diário numa posição de liderança desta-cadíssima, no distrito de Braga. É certamente também o reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no plano editorial e empresarial. O que não deixa de merecer referência, tanto mais que, salvaguardadas as excepções, a imprensa local e regional continua a ser gerida e editorialmente orientada com insuficiente profissionalismo e sem visão estratégica, apesar dos apoios do Estado nesse sentido.

Enquanto observador e interessado, vou seguir a experiência que dentro de dias vai arrancar. Sem demasiadas expectativas, mas com atenção e curiosidade.




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