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Braga em 2032

Braga, 4 de Janeiro de 2032. O município bracarense é, a partir de amanhã e até ao dia 3 do próximo ano, a Capital da Cultura da Área Metropolitana Reconstruída. Um persistente trabalho de décadas deu, finalmente, fruto. A esforçada política cultural promovida pelo município ajudou a criar um clima cosmopolita que em muito favoreceu a afirmação de novos protagonistas nos domínios das artes plásticas, do cinema, da literatura, da música e do teatro. Muitos desses novos actores culturais terão agora uma ocasião excepcional para mostrar os seus trabalhos.

N/D
4 Jan 2004

Para assinalar a iniciativa, o Diário de Notícias publicou ontem, com apreciável destaque, o milésimo texto de propagação dos mais frequentes clichés sobre a cidade. Nele, se refere, pela enésima vez, que a “cidade das igrejas e das ‘boîtes’ revela mescla de vivências e de estilos arquitectónicos”.
O artigo cita um outro publicado no mesmo jornal no dia 3 de Janeiro de 2004 (um estudo feito em 2007 revelou que este artigo de 2004 foi o 537.º a chamar a atenção para o facto de em Braga a modernidade andar de braço dado com a tradição) que dissera que “a urbe também de edificações modernas concilia sotainas com ganga, metalurgia, têxtil e vestuário, construção civil com o verdejante e paradisíaco Gerês”.

Em 2004, como o Diário de Notícias revelou em primeira mão, “o verdejante e paradisíaco Gerês” foi transladado para a dita “urbe” da construção civil, tendo ficado instalado no sítio onde se localizou o Centro Comercial do Rechicho.

Tal como sucedeu em 2004, em 2005, na segunda metade de 2007, em 2016 e no terceiro trimestre de 2022, em 2032 é previsível que prossigam as visitas ao Estádio Municipal de Braga. Entre os visitantes já anunciados, estão três arquitectos da Serra Leoa, um engenheiro das Ilhas Caimão, um electricista dinamarquês e um alpinista suíço.

Aproveitando este ano especial, a Comissão de Turismo da Zona do “Ex-Verde” Minho tentará, uma vez mais, fazer com que o Departamento de Rotas da Autoridade Turística Mundial determine que o Caminho de Santiago finalize no estádio bracarense.

O programa da Capital da Cultura da Área Metropolitana Reconstruída só deverá ser anunciado no próximo dia 14, mas, como é prática habitual, não será divulgado na íntegra. No entanto, estão já confirmadas diversas iniciativas.

O espectáculo inaugural – um momento particularmente solene – ficará a cargo do cantor Tony Carreira. Para o mês de Janeiro, está ainda agendado um momento de rara qualidade: a inauguração, no dia 23, na Casa dos Crivos, de uma exposição internacional sobre a arte em plasticina do séc. XIX. As artes plásticas estarão novamente em alta no mês de Junho, por ocasião da abertura, no dia 11, na Pastelaria Prof. Caramba (ex-Jolima), da Bienal Internacional de Construções em Fósforos.

A música dominará o mês de Fevereiro com a estreia mundial, no dia 7, no Espaço Zao Zing, em Lamaçães, do Concerto para Pífaro e Flauta de Zé Fermann. Cinco dias depois, há teatro, com “Espectáculo para os Sete do Costume”.

O calendário de Março abre com artes plásticas. No Espaço a Indicar, inaugura no dia 3, “Eu Próprio na Minha Pintura: A Pintura Abstracta de Li Mao Zinho”. No dia 7, no Kiev Parque (ex-Braga Parque), inaugura-se “Exposição de Capas de Discos dos Mão Morta”.

Em Abril, como é habitual, José Saramago dá a sua conferência, este ano subordinada ao tema “Isto continua a estar cada vez pior”. A aposta forte do mês é a exposição “Monet de Matosinhos – A Colecção de V. T. M. (empreiteiro)”, marcada para o dia 22, no Restaurante O Mono Lugar. No dia 29, há uma declamação de poemas subordinados ao tema “O grilo e o passarinho”.

O Verão está exclusivamente por conta de ranchos folclóricos, que todos os dias, actuarão no coreto da Avenida Central.

Logo no primeiro dia de Setembro, a mostra “O Norte na Colecção de Selos de José Manuel” pode ser visitada na Central de Camionagem. Vinte e três dias depois, há um novo momento excepcional: a Orquestra da Banda dos Arrumadores da Zona do Tribunal apresenta, no Parque de ex-Posições, a estreia mundial de Pavana para 27 Assobios.

A grande música regressa em Dezembro com o concerto de encerramento da Capital da Cultura da Área Metropolitana reconstruída que levará os Três Tenores ao Estúdio Galécia. Uma exposição de postais de Van Gogh, no Café Nova Ipanema 54, está entre os destaques de Novembro. A mostra coincide com a abertura da primeira fase das obras da extensão de Dume do Mercado Cultural do Carandá que prevê uma pastelaria que fará as maiores farturas do mundo.

Nas imediações, no Estádio Municipal, durante todo o ano, aos domingos, no maior écran do mundo, será possível assistir a retrospectivas das telenovelas da TVI e a jogos de futebol.

O ano, sem dúvida, promete.




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