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Na abertura do ano

Quem hoje fixar os olhos na “orelha” da nossa última página, encontra ali estampado o logotipo que identifica o Diário do Minho como membro fundador da “Rede Expresso”. O acordo da constituição da Rede foi há semanas formalizado em Lisboa, como então noticiámos, e entra agora em funções. Trata-se de uma plataforma de interacção e parceria entre o semanário “Expresso” e um alargado conjunto de jornais regionais, escolhidos pela sua inserção sócio-cultural, informação aberta e pluralista e independência dos poderes político e económico.

N/D
3 Jan 2004

O acordo é amplo, pois que abarca: troca de conteúdos informativos, cooperação em iniciativas editoriais de carácter irregular, organização conjunta de iniciativas descentralizadas, cooperação na formação profis-sional, desenvolvimento de sinergias comerciais e cooperação noutras áreas.Além de amplo, o acordo salvaguarda a identidade de cada meio. É, além disso, de fácil e rápida denúncia.

Como tive oportunidade de afirmar na sessão em que o mesmo foi assinado, vejo-o como um momento de valorização da imprensa regional, entendida em dois sentidos: valorização, porque o “Expresso” reconheceu o peso e a importância dos jornais regionais como olhos e ouvidos de uma realidade muitas vezes esquecida dos grandes centros; e valorização também, porque os mesmos jornais regionais ganham com a capacidade de análise, interpretação e documentação de um semanário de referência.

Poderia mencionar, ainda, outras vantagens. Mas estas chegam, para explicar o empenho pessoal que coloquei na iniciativa. E para garantir que tudo farei para que deste patamar se possam dar ainda outros passos.

Pode haver quem prefira o “Diário do Minho” – jornal que não esconde a sua identidade católica – fechado na lógica de órgão oficial da Arquidiocese (que não é, pois que esse papel cabe por inteiro à “Acção Católica” !…); ou, então, discretamente transformado numa espécie de boletim paroquial, ainda que com mais páginas, para consolo espiritual de quatro ou cinco almas santas…

Pessoalmente, não julgo que deva ser esse o caminho. Bem pelo contrário – por mais trabalho que o futuro me exija, ou por mais (des)gostos que me esperem.

Dado este passo, continuaremos a caminhar, servindo a comunidade, resistindo às pressões, vencendo a inércia, corrigindo os erros e incrementando as virtudes.

Neste contexto, defendo, por exemplo, que este ano de 2004 seja ainda um período de purificação:
Podemos ser cristãos sem ser beatos.

Podemos ser fiéis sem ser mais papistas que o Papa.

Podemos intervir e chamar as coisas pelo seu nome, sem perder a caridade no modo de dizer a verdade.

Podemos estar atentos ao que se diz, sem transformar em notícia o primeiro boato.

Podemos anunciar ou denunciar, sem fundamentalismos nem atitudes persecutórias.

Podemos estar atentos e abertos ao que acontece, sem que tudo deva ter, obrigatoriamente, o estatuto de publicável.

Podemos relevar a vida da Igreja, sem esquecer que também as homilias, as procissões ou as Notas são relativas.

Podemos promover e entrar no debate, sem que isso queira dizer indefinição.

Podemos e vamos preparar o futuro…

Não; não vou continuar a enumeração. Apenas quis deixar minimamente claros alguns parâmetros, que reputo indispensáveis. E não há momento melhor para o fazer que a abertura do ano…

Com as críticas e os incentivos faremos caminho. Que Deus nos ajude!…




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