Fotografia:
Maternidade divina de Maria, Dia Mundial da Paz e Ano Novo

No passado dia 1 deste mês a Igreja Católica celebrou a Festa Litúrgica da Maternidade divina de Maria; a comunidade mundial celebrou o Dia Mundial da Paz e a sociedade civil comemorou o começo de um novo ano.

N/D
3 Jan 2004

1. A Maternidade divina de Maria é o maior privilégio de Nossa Senhora. Em virtude dessa Maternidade, Maria foi concebida sem mácula do pecado original, como festejamos há dias no dia 8 de Dezembro e jamais cometeu qualquer pecado pessoal ou teve a mínima imperfeição.
De facto, tendo sido eleita para Mãe de Deus não podia ter sido, nem sequer por um instante, tocada pelo demónio e manchada com o pecado original. A Sagrada Escritura fala-nos d’Ela como a mais excelsa de todas as criaturas, aquela que todas “as gerações chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48).

Mas Maria não é só Mãe de Deus, mas também Mãe de todos nós, pois Jesus no-la deu no alto da Cruz, com as palavras: “Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo. Eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 26-27). A Virgem cumpre a sua missão de Mãe intercedendo por nós junto do seu Filho Jesus, por isso a Igreja lhe chama: Advogada, Auxiliadora, Socorro e Medianeira.

2. Em 1968, Paulo VI manifestou o desejo de que se celebrasse, cada ano, um Dia Mundial de oração pela Paz. Cada ano o Santo Padre Paulo VI assim fez e o actual Pontífice faz o mesmo, dando-nos um tema para esta celebração. Este ano João Paulo II, propõe-nos: Um compromisso sempre actual: Educar para a paz. Aliás, em 1979 já o Santo Padre tinha proposto como mensagem: Para alcançar a paz, educar para a paz”.

A paz é uma das grandes preocupações do Santo Padre que vê o mundo dilacerar-se em grande escala. Na sua mensagem para este ano, escreve: “O esforço de nos educarmos a nós mesmos e aos outros para a paz, nós, cristãos, sentimo-lo como fazendo parte da índole mesma da nossa religião.

De facto, para o cristão proclamar a paz é anunciar Cristo que é a «nossa paz» (Ef 2, 14), anunciar o seu Evangelho que é «Evangelho de paz» (Ef 6, 15), chamar todos à bem-aventurança de ser «obreiros da paz» (cfr. Mt 5, 9)”.

Na sua mensagem o Santo Padre faz uma referência ao terrorismo, considerando-o como uma chaga cada vez mais virulenta que torna difícil o caminho do diálogo, como vemos no Médio Oriente, em que a um ataque dum lado se segue uma retaliação e a esta segue-se uma retaliação da retaliação e assim sucessivamente sem vermos o fim.

“A 13 de Janeiro de 1997, falando ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, eu indicava o direito internacional como um instrumento de primeira ordem para a prossecução da paz: «O direito internacional foi durante muito tempo um direito da guerra e da paz. Creio que ele deve ser chamado cada vez mais a tornar-se um direito da paz, concebida em função da justiça e da solidariedade. Neste contexto, a moral deve fecundar o direito; pode igualmente exercer uma função de antecipação ao direito, na medida em que lhe indica a direcção da justiça e do bem»”.

O Santo Padre não deixa de salientar que a justiça deve ser completada pela caridade. Assim recorda aos cristãos e a todas as pessoas de boa vontade a necessidade do perdão para resolver os problemas. E afirma categoricamente: Não há paz sem perdão.

3. É tradicional neste 1.° dia de Janeiro desejarmos uns aos outros um Bom Ano Novo.

Mas o que é um Bom Ano? Para muitos é arranjar um emprego; para outros alcançar a paz e a estabilidade numa família à beira da ruptura; para outros é trocarem o pardieiro em que sobrevivem por uma casa com um mínimo de condições de higiene, e conforto; para outros, é conseguirem apoio para tratar de um filho deficiente a quem não conseguem dar o mínimo que seria para desejar. Mas há quem só queira neste ano muita saúde, muito prazer, muito dinheiro, esquecendo o que falta aos que o rodeiam e vivendo a cultura do «bem-estar» até à exaustão.

Ora um Bom Ano deve ser um ano onde a paz reine nas almas, nas famílias, nas nações, no mundo inteiro. Um ano em que não falte trabalho para quem quer trabalhar (porque há quem só pense no subsídio de desemprego ou no rendimento mínimo); um ano em que seja possível acabar com a proliferação da droga (eu não digo os drogados, mas refiro-me aos traficantes), um ano em que o acesso à habitação digna, à educação e à saúde seja para todos, sem discriminação; um ano em que se acabe de vez com a corrupção a todos os níveis.

Não estou a pedir o paraíso na terra, mas o respeito pela dignidade da pessoa humana, em todas as suas vertentes.

E já agora uma palavrinha para os políticos: pensem mais no povo que em si mesmos.




Notícias relacionadas


Scroll Up