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A Constituição Europeia

Segundo a comissão de trabalhos relativos à Constituição Europeia, presidida pelo francês Valery Giscard d’Estaing, o silêncio sobre Deus e o Cristianismo está aí patente. Que é que motivará o patenteamento deste silêncio?

N/D
2 Jan 2004

As reacções não se fizeram esperar: gritou a imprensa e bateram os pés os analistas e os historiadores. O actual Papa João Paulo II advoga uma Constituição Cristã à luz da história. E os historiadores não compreendem o fortalecimento, em todos os campos, da Europa, sem alicerce granítico do cristianismo. Como o artilheiro, vou assentar as baterias, contra este silêncio, na concepção que me apraz possuir de “organismo global”. A este “organismo global” vou chamar-lhe “Ser Profundo” e concebo este como raíz da “Pessoa Humana”.
Apoiado no “Indivíduo”, vou aventar para a raíz da Pessoa Humana, ou seja para o nosso “Ser Profundo”, as suas necessidades e os seus desejos profundos, tanto de conservação, como de socialização, de crescimento e de transcendentalização. Relativamente à conservação tanto do indivíduo como a de sua espécie, os fisiólogos se pronunciem. Relativamente à sua socialização, que falem os psico-sociólogos.

Quanto ao seu crescimento, escutemos a voz da evolução. E quanto à transcendentalização, abramos o copo de nossos ouvidos aos filósofos honestos e aos bons teólogos. Isto é, acerca do acolhimento, por nós, destas necessidades e desejos profundos, a evidência parece instalar aí seu púlpito. E que estas necessidades e desejos profundos tem de ser imperativamente cumpridos, são atestados pelo desertar, aos bandos, das arbitrariedades. E é à Pessoa Humana que, para seu bem, compete o desempenho da satisfação destas necessidades e desejos de nosso “Ser Profundo, Real e Concreto”, através da instituição de relações concretas, ajustadas, positivas e evolutivas, com a realidade total: eu com o outro; eu e o outro com a natureza; eu, o outro e a natureza com Deus. E todos nós congregados em função da libertação e construção da “Pessoa Humana” em ordem ao “Bem”, à “Verdade” e “Bondade”.

Meus amigos, não se trata de levantar, entre nós, mal entendidos, nem de provocar conflitos, nem de nos pincelarmos na espuma das animosidades. Isto pertence ao passado.

A palavra, agora, não é dada nem aos crentes, nem aos descrentes; nem aos teístas nem ateístas; nem aos religiosas, nem aos que carecem de religião; nem aos políticos de qualquer corrente. Pois uma voz mais alta se levanta e os transcende. Esta voz é a voz da “Pessoa Humana”, que implora a todos estes o esforço para a criação de boas e fecundas condições de libertação, a fim de que o desejo do seu “Ser Profundo, Concreto e Real”, possa ser, em liberdade, satisfeito.

Espera-se, pois, que a Constituição Europeia se abra, em incentivos para todos, à criação de boas e fecundas condições de libertação e não tome Deus e Cristo como cheques sem cobertura, os que os não tome por circulação de moeda falsa ou como placebos na evolução da vida existencial dos homens. Isso não, porque nosso “Ser Concreto, Real e Profundo”, raíz da “Pessoa Humana”, torce-lhe o nariz.




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