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“Um conjunto de traidores”

Alguns funcionários da administração pública, habituados ao conceito da eternidade de lugares de dirigentes, ainda não aprenderam a democratizar as mudanças e, com a humildade necessária, receber com toda a naturalidade o fim da sua nomeação no cargo que desempenhava.

N/D
31 Dez 2003

Aliás, este é o procedimento normal da mudança de situação relativamente ao exercício de cargos de dirigentes em função do respeito que devemos ter pelo topo da hierarquia central, significando a cessação da comissão de serviço como um elementar objecto decisório a quem cabe a incumbência legítima de mudar ou substituir.
Infelizmente, isto tem um preço muito alto para os mais resistentes a este conceito contemporâneo num Estado de Direito, manifestando-se com atitudes de bastidor de indignação ajustes de contas ou golpes de penumbra.

Condenável é que decorrente do fim de um cargo duradoiro comecem a surgir consequências muito desagradáveis com as vítimas que nunca alinharam nas ideias, nas utilizações de serviços para benefícios pessoais ou que nunca partilharam nas submissões à apetência da hipocrisia da velha e saturada lei do mais forte – «quem não é por mim, é contra mim».

Regista-se esta forma de pensar, porque alguns funcionários da administração pública, ora demitidos ora substituídos, em função de uma categoria de carreira mais elevada e com algum poder de intervenção ou influência no seio da comunidade laboral, começa a fazer caça (às bruxas), seus opositores e que os conotaram de “traidores”.

Preocupa-me que esta paz podre existente em algumas instituições da administração pública promova grandes injustiças naqueles profissionais que, além da sua comprovada competência profissional, utilizam critérios de honestidade, frontalidade e transparência na moldura de pensamento, análise e participação activa nos conceitos da dignidade real da pessoa e do trabalho ao serviço da comunidade solicitadora de serviços.

Por isso, a sentença condenatória para aqueles que não se assumem pela franqueza da aceitação da mudança ou da alteração das opções provenientes da legitimidade de quem as tem, é que a “fé divina”, com o tempo que Ela achar por bem, encarregar-se-á de fazer justiça às maldosas condutas nunca declaradas ou confrontadas com as suas vítimas.

É notória a falta de coragem de muita boa gente designada e apelidada de bons praticantes do bem, impunes à suspeita do mal, alguns dos quais membros de sociedades altruístas, cívicas ou intelectuais, que desonram o seu perfil associativo quando utilizam o fictício para desabafarem os seus sentimentos da competência profissional ofendida, em função de um “tacho” que foi interrompido ou supostamente acabado, disparando em todos os sentidos com a pretensão de uma fase imediata – “abater” os mais fragilizados até, se puder, derrubar os mais potenciados.

É a prática de tirar o tapete a quem faz obstáculo a este tipo de pessoas, tenha o preço que tiver, nem que vá ao “banco das influências” pedir emprestado.

Enfim, a nossa esperança para dias melhores nos dirigentes da administração pública está na pureza de uma próxima geração mais educada, mais transparente nas suas intenções da qualidade e competência profissional, credibilizada da sociabilidade dos recursos humanos, justa nas oportunidades e nas igualdades de procedimentos, longe da tentação de criar grupos privilegiados, agarrados como lodo de águas paradas – uma geração de dirigentes capazes de fazer dos seus trabalhadores uma família vocacionada para a motivação, estimulação de funções e largados de um stress mental dos eventuais prejuízos que não só os afecta pessoalmente, como toda a família sofre com isso.




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