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Uma bela lição…

Não estamos habituados a lições objectas e exemplares no plano político. Infelizmente os interesses políticos sobrepõem-se às realidades.

N/D
24 Dez 2003

Foi, pois, com profunda admiração que lemos a entrevista concedida pelo Bispo de Bragança, D. António Montes Moreira, ao semanário “O Diabo” de 28 de Outubro. Objectivo, contundente, mas simples na linguagem e respeitoso nos comentários devidos, a sua entrevista é uma lição maravilhosa para quem deseje, ou seja convidado, a participar na comunicação social.
As suas respostas são objectivas, simples, claras e determinantes. E o jornalista dirigiu-lhe perguntas muito actuais, que todos vemos na televisão, ouvimos nas rádios, e lemos na imprensa. E D. António não se esquivou a nenhuma resposta.

Vamos, nós, trazer algumas para os nossos leitores por duas razões: porque são fonte de informação séria e objectiva e porque procedem de um Bispo, cuja missão é também a da comunicação da voz da Igreja às gentes.

Todos estamos a notar a falta de sacerdotes na actividade que lhes diz respeito.

D. António Montes esclarece o problema e disputa a atenção dos crentes para a realidade. Ei-la:
«Quanto às vocações sacerdotais, nós partimos de uma Igreja tradicional de tipo muito clerical, em que a maioria das funções eram atribuídas aos padres, aos presbíteros, e temos que caminhar para uma Igreja mais de tipo ministerial em que as funções sejam mais repartidas… Há muitas coisas que podem ser feitas pelos leigos, os leigos devem tomar uma posição cada vez mais consciente e mais activa na Igreja. Comparando as estatísticas sacerdotais com a de séculos anteriores, nós temos cada vez menos padres… Mas temos que redimensionar as funções, no sentido em que se os padres se dedicarem preferentemente só às actividades que lhes são próprias, nós não precisamos de tantos padres como no passado. Mesmo assim, devemos reconhecer que o número de padres está a diminuir de uma forma que é preocupante.

Os problemas verificados na Casa Pia também foram focados e a resposta foi esta: «Bem, no melhor pano cai a nódoa… E com isto não quero falar de grupos ou classes culturais ou sociais… O melhor pano deve ser toda a pessoa humana, e por isso deve haver uma atitude de conjunto para valorizar a dignidade humana. E nessa matéria tudo o que se refere à família e à sexualidade tem que ser visto numa linha de mais valorização, em que a sexualidade seja considerada como um projecto de vida, como uma dimensão profunda do homem, que tem um sentido humanizante, e não pode ser vista numa linha de consumo. É necessário apresentar a sexualidade numa linha positiva, que seja conforme à dignidade humana. E é nesse pano de fundo que se inscreve a missão da Igreja, e também a missão de todas as instituições que queiram melhorar a situação. Não é simplesmente numa linha de repressão, tem que ser numa linha de formação.

Como não podia deixar de ser o jornalista pôs ao Bispo da Diocese o problema de prostitutas até estrangeirar.

A resposta foi objectiva e bem estudada. Ei-la:
«Os elementos de comparação que eu tenho, através de conversas minhas com as autoridades civis e policiais da cidade, são de que o número dessas casas em Bragança baixou nos últimos meses, atendendo a que havia casas em situação ilegal. Mas há sempre situações a melhorar, há situações desagradáveis e condenáveis do ponto de vista da moral cristã… O esforço da Igreja nessa matéria situa-se no âmbito da persua-são, da doutrinação, mas estamos conscientes de que nem sempre estamos a lutar com armas iguais, atendendo a que como dizia – uma das coordenadas de certas correntes da sociedade actual é a do consumismo e do hedonismo. Não podemos esquecer que o negócio ligado à prostituição e a outros sectores envolve milhões, de dólares, de euros, do que for…

E por isso a actividade comercial que está ligada ao sector cria uma grande apetência e multiplica todas estas redes. Grande parte das pessoas que se dedicam a este ramo, quer do ponto de vista sexual, quer do ponto de vista comercial, certamente não são pessoas que frequentem muito as catequeses e a Igreja…

Mas é um negócio que está a afectar as famílias cristãs…

O problema é um problema de sempre… A prostituição é um fenómeno antigo. Há uma luta constante entre os comportamentos de virtude e de pecado… As epidemias de tipo físico, de saúde, precisam de uma vigilância constante com as vacinações e tudo o mais… Se não fosse isso as epidemias de séculos passados ressurgiriam… Aqui estamos num problema de epidemias de carácter moral, de carácter espiritual, e é necessário um empenhamento constante para que a linha dominante da virtude possa ser atractiva, de tal maneira que vá afastando a linha do pecado…»




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