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Era uma vez…

Chamo-me João. Vou contar-vos a minha história, que como todas começa assim: «Era uma vez…»Um dia do ovário daquela que viria a ser minha mãe, saiu um óvulo. Encontrou um espermatozóide, daquele que viria a ser o meu pai e surgi eu – o João. Era um zigoto, mas tinha já um código genético nitidamente distinto dos gâmetas masculino e feminino que me deram origem; não houve mais nenhuma contribuição ontogénica, isto é, nada mais me foi acrescentado, melhor dizendo: Deus, no momento em que comecei a existir criou, do nada, uma alma imortal – passei a ser um homem, com toda a dignidade e com todos os direitos inerentes.

N/D
20 Dez 2003

Começou então o meu auto-crescimento e desenvolvimento. Muitos dizem que eu sou uma parte do corpo da minha mãe, mas é mentira. Fui eu, chamado agora embrião, quem criou o saco amniótico, o cordão umbilical e a placenta, para me instalar no útero da minha mãe. Assim posso ser alimentado enquanto o meu desenvolvimento não se completa – são precisos nove meses – e eu possa sair à luz do dia, começar a respirar e a alimentar-me por mim próprio, isto é com órgãos autónomos.

Agora interrompo o João para mostrar quanto estão errados os que pensam que a mulher pode praticar um aborto, porque o feto é uma parte do seu corpo.

Continuando. Dentro do saco amniótico que eu criei, volto a insistir, sentia-me como um astronauta sobre a Lua, com um fato espacial, porque o líquido que me envolvia e alimentava, tendo a mesma densidade que o meu corpo, fazia com que eu não fosse afectado pela gravidade.

Soube mais tarde que um cientista, o Dr. Ian Donald de Inglaterra conseguira filmar um menino de onze semanas «bailando» no útero. O menino dobra os joelhos, apoia-se na parede, ganha impulso, cai de novo, mas de um modo lento e gracioso, elegante só devido à falta da força da gravidade. (Cfr. Intervenção de Jerôme Lejeune, ao Senado dos Estados Unidos, em 23.4.1981).

O meu desenvolvimento era progressivo e a minha mãe tratava-se com todo o cuidado a pensar em mim. Segundo palavras do referido cientista: “O incrível Polegarzinho, o homem mais pequeno que o dedo polegar, existe realmente: não o do conto, mas sim o que cada um de nós fomos”. Eu, o João, fui, como todos, tão pequeno como o Polegarzinho.

Eu, por vezes, ouvia a minha mãe dizer aos meus irmãos: venham ouvir o coração do bebé a bater – (nessa altura ainda não sabiam que eu era um rapaz, mas se fosse, o nome seria João); sei agora que eles, com grande ternura, encostavam o ouvido ao ventre da nossa mãe e sorriam de contentes.

Também a nossa mãe procurava que o ambiente em casa fosse calmo, pois qualquer barulho mais estridente causar-me-ia um susto. Muitos julgam que nós, em estado fetal, não ouvimos, mas não é verdade. Quantas vezes um bater mais forte de uma porta me acordava.

Na altura própria a minha mãe fez uma ecografia e ficaram a saber que o tal bebé – eu – era um rapaz; então a partir daí, já só se falava no Joãozinho. Se tivesse sido uma menina seria Sofia.

Chegou enfim o termo do meu crescimento dependente, isto é, intra-uterino. Nasci e comecei a ter uma vida autónoma – deixei o cordão umbilical e a placenta. O alimento agora vinha dos seios da minha mãe, que não se escusou, como agora é moda, a concluir a «gestação», assim ouço chamar à amamentação.

Que bom ter nascido. Que bom ter deixado o ventre da minha mãe e ver-me rodeado de uma família que me desejou, me ama e que não se poupa, para que nada me falte.

E vem isto a propósito da campanha que alguns estão novamente a levar a cabo, em favor do aborto. Dizem-se representantes do povo. Coitados, que pouco povo representam, mas mesmo assim, põem-se em bicos de pés, e querem um novo referendo.

O povo já disse NÃO AO ABORTO. Só que há que ter cuidado e não cruzar os braços, porque eles – poucos – fazem mais barulho a falar e a agir do que, muitos que não querem o aborto, mas permanecem silenciosos.

Comodidade, respeitos humanos, cobardia? Seja o que for é preciso vencer, para que a vida humana seja respeitada desde o início da sua concepção. Pensem que “as forças do mal não tiram férias” e portanto, nós os que somos contra o assassínio de seres inocentes e indefesos, também não podemos descansar.




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