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Crises: tempos de espera… ou de crisálida?!

Em diversas intervenções, partindo de vários sectores, tem-se acentuado uma nota nacionalista, numa Europa cada vez mais, ou cada vez menos federada e solidária. Seja como for, a identidade é importante na formação da personalidade de alguém.

N/D
20 Dez 2003

Uma coisa é ser nacionalista, patriota; e outra chauvinista, por nacionalismo em excesso. Aliás, este tem valores fundados em factos e factores históricos, sociais, de orgulho e de afirmação.
Os Portugueses têm uma história de que se podem orgulhar; mas terá sido bem ensinada e compreendida nas escolas? Não ouvimos em tempos que éramos os últimos “esclavagistas” europeus?!

Em tempos de crise, o nacional vem ao de cima. Sentimos necessidade de algo para afirmação do nosso ego pessoal, como de linhas de força, que nos levantem do abismo. Não estaremos a viver uma época semelhante?

O Euro 2004 será o bastante para nos afirmarmos como povo, num reino de futebolistas, arruinados e de brandos costumes? Será suficiente introduzir a Bandeira Nacional nas escolas e aprender sob a égide do Hino Nacional, de inspiração anti-anglófila, que nos deixou como cromossoma o futebol , que nos vai desgraçar?

A história de um Povo tem muito mais do que aquilo que se ensina, se esconde, cala, consente ou ultrapassa com outras intenções. Tem a ver com todo um ethos cultural, social, económico, de brio, luta e derrota, ao longo dos tempos… Por isso, mesmo as crises é importante recordá-las, como fonte de inspiração para novas lições e ensinamentos para superação de outras.

Luzes e sombras fazem parte da vida, como estas denunciam a falta daquelas e revelam o que se deve trazer para as debelar ou revelar, sem contudo nos deixarmos cair deprimidos no pessimismo demolidor ou de estupefaciente. Mas não podemos viver de ópio ou cocaína edulcorada de mundos quiméricos, criando momentos de feérico balofo e nulo bombástico, com o sonho de pensarmos ser os melhores, ou únicos…

Os melhores são, normalmente, os mais sábios e humildes, que conhecem as suas limitações. Povos há que foram pioneiros do muito que consumimos, quer na ciência, quer na técnica ou na invenção e aparecem hoje desiludidos, como cansados, à procura de novos oásis para apoiar as suas ambições. Não seria tempo de pararmos também um pouco e ver-nos ao espelho, não de Narcisos, mas de bacantes deformados?

Um povo há que, no segredo do seu orgulho e nacionalismo, apesar da tristeza da sua História, se levantou depressa de uma derrocada, que foi o povo alemão. Hoje, após se ter falado tanto de Hitler nas escolas e dos horrores do holocausto, com fins bem intencionais, são raras as crianças que têm orgulho da sua historia e mesmo do seu País, apesar de uma revolução silenciosa que, se levou à queda do Muro de Berlim, criou muros muito mais altos e sobrevivem nas cabeças como fantasmas em tempos de crise, quando se pede solidariedade redução nas escolas e mais compreensão dos novos tempos socialistas. Porquê?

Quebrados ou arruinados os valores espirituais, que fazem do País não apenas uma pátria, como território, mas sem a consciência, ou muito diluida de nação, como alma, tudo caiu por terra, não bastando já os mitos de bem-estar, ou de férias gozadas nas zonas mais paradisíacas do mundo, que um certo bem-estar proporcionou em tempo de vacas gordas…

Não estarão os Portugueses a viver o mesmo clima, depois dos eldorados vividos com subsídios comunitários chegados às nossas praias, que as mancharam mais do que o óleo do Prestige, e agora sofremos por ter sido chamados a contas? Solatio miseris…

Este realismo, melhor conduzido pelos políticos, teria evitado muitas catástrofes. Mas somos assim. Gostamos de ser adiados… E, como sofremos sempre de daltonismo, ainda com senequismo subjacente, não estranhemos se, paulatinamente, formos perdendo a nossa independência, mesmo conservando o tal humanismo muito próprio. É que os tempos são inexoráveis. Só com uma visão mais atenta e uma nova percepção do mundo, desenvolvendo ainda um pouco de massa cinzenta nas nossas escolas, poderemos vencer alguns desafios. Para isso terá de haver uma nova revolução de mentalidades e na educação, levando-nos para outros cais, à procura de novos oásis de águas, esperanca, reflexão, serenidade, e mesmo involução de valores terçados. Quem contradiz a aposta?

Mãos à obra!…




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