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Tempo de reflexão, tempo de esperança

Para além do seu estrito sentido religioso, espiritual e transcendente, o Natal comporta, no plano civil, a ideia de paz universal, reconciliação e amor entre os homens, convidando à solidariedade, à humildade, à partilha e à reconciliação.

N/D
18 Dez 2003

Por isso, tal como o Advento representa para a Igreja um período litúrgico destinado à preparação das festividades natalícias, pelo exame de consciência e pela penitência dos seus fiéis, assim os cidadãos devem aproveitar esta quadra para reflectir sobre os imensos problemas políticos, sociais e económicos que afligem a humanidade, sobre a responsabilidade que a todos e a cada um cabe pela situação dramática em que o Mundo continua a viver e sobre a participação e o contributo que a sociedade e cada um de nós, à sua medida, pode dar para a solução dos mais gritantes e persistentes casos de injustiça, fome, pobreza e doença espalhados pelos quatro cantos do Planeta.
Bem sei que, no Inverno do nosso descontentamento que é o Mundo de hoje, com avassaladora crise de valores que o atravessa de lés a lés, com o feroz egoísmo que nele grassa e com o materialismo e hedonismo que por todo o lado prosperam em campo aberto, é cada vez mais difícil e complexa a tarefa de remar contra a maré e de lutar por um Mundo melhor, mais justo e mais solidário.

Bem sei que ante o peso do dever que recai sobre os nossos ombros e interpela as nossas consciências, preferimos a comodidade de uma ceia de Natal, no aconchego do lar e da família, numa mesa farta, em que abundam os pratos e petiscos tradicionais, em que se trocam presentes e em que revemos os familiares e amigos que vivem mais afastados.

E sei, também, que propendemos, cómoda e facilmente, a acreditar que um pequeno gesto de caridade, uma esmola ou um cabaz oferecidos aos pobres ou a uma instituição de solidariedade social são susceptíveis de nos redimir das nossas múltiplas responsabilidades sociais. Mas, no fundo, bem no fundo das nossas almas, continua a pairar o espectro da nossa culpa colectiva.

É por isso tempo de todos nós, crentes e não crentes, reflectirmos na vida d’Aquele cujo nascimento cada ano se comemora, no exemplo de humildade, de perdão e de amor ao próximo que Ele nos deixou e nos ensinamentos de igualdade e de dignidade humanas com que verdadeiramente revolucionou o Mundo. E de pensarmos, depois, na forma de dar tradução prática a tão ingente como exigente desafio.

Com essa reflexão séria e profunda, estou certo que aproveitaremos bem este tempo e poderemos ensaiar passos seguros para o renascimento da esperança nas nossas vidas e nos nossos corações.
É com este espírito que desejo a todos os meus leitores um Santo e Feliz Natal.




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