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“Urge um cristianismo vivido e não simplesmente herdado”

Alfa y Omega”, espanhol, semanário católico de informação aborda o problema religioso na actualidade e em introdução ao texto faz as seguintes afirmações: «Até há pouco em Itália – como em Espanha – ou se era católico ou anti-católico; hoje o problema em Itália chama-se indiferentismo religioso, superficialidade, materialismo». E comenta: «Não serve para nada que os italianos continuem a declarar-se católicos nos inquéritos se, depois, desconhecem os preceitos básicos da sua fé».

N/D
17 Dez 2003

O artigo que aborda este tema apresenta-se com este título: «A Igreja em Itália, hoje».
Feitas estas afirmações, o Autor do artigo recorre a duas pessoas da Igreja: o cardeal-arcebispo de Milão Dionigi Tettamanzi, e o cardeal-arcebispo de Bolonha, Giacomo Biffi
.
O primeiro, após um ano de haver assumido as funções eclesiais em Milão, apresentou o seu programa pastoral para o próximo triénio. Descreve o terreno em que vai agir e diz que a situação em Milão é dramática e crescem as dificuldades para transmitir a fé. E enumera as dificuldades: avança o processo de secularização, cabe falar de verdadeira secularização, de indiferença religiosa, de neo-paganismo.

No programa pastoral, apresenta a situação existente: cada vez menor o número dos que cumprem o preceito dominical.

Além disso, «os meninos chegam ao catecismo (os que chegam) sem saber ao menos fazer o sinal da cruz». Isto significa, diz o Cardeal, que a força educativa, básica, e fundamental da fé, a família está a desaparecer. Se os meninos não sabem rezar o Pai nosso, é porque os pais tão pouco o sabem.

Ninguém dá o que não tem. Cada vez há mais noivos que pedem para casarem pela Igreja, porque é um costume bonito social mais brilhante do que no julgado…, mas não por outras razões mais fundas.

O cardeal-arcebispo de Milão não se fica pelo retrato dos factos. Avança para a solução dos mesmos.

Como? Diz o Cardeal: «A rica vitalidade da fé está hoje mui seriamente ameaçada. Encontramo-nos ante uma mudança tão profunda que exige ser analisada e interpretada com urgência».

O cardeal de Milão, face às realidades existentes, faz recomendações: recomenda um estilo de vida corrente e sóbrio; convida explicitamente os párocos a negar a administração dos sacramentos se em algumas situações pessoais, faltam as devidas condições para serem celebradas como deve ser. Diz expressamente: «Quem quiser os sacramentos tem que merecê-los».

O cardeal Giacomo Biffi, bispo de Bolanha, num encontro com os sacerdotes, disse-lhes: «Os números grandes não são necessariamente sinais de autenticidade, mas as igrejas, várias, não são uma demonstração da genuidade do Evangelho».

A sacralidade do mistério que se celebra ao domingo há que a propor continuamente a todo o povo de Deus. Há que insistir ante a consciência dos fiéis em que a celebração dominical é obrigatória e vinculante. Não porque seja arbitrariamente imposta pela autoridade hierarquia, mas porque é algo intrínseco à própria estrutura interior da personalidade cristã e à natureza da Comunidade eclesial».

Citamos dois cardeais que abordaram o problema em suas dioceses.

Um leigo, o sociólogo Franco Garelli, italiano, abordou este problema e disse: «A religião não é vivida já como uma experiência pessoal. Não há em Itália um aumento do número de quem se declara ateu ou agnóstico (entre 5 e 7 por cento da população) e substancialmente permanece constante também o número de quem se declara católico (cerca de 90 por cento) e dos que vão à missa ao domingo (25 por cento). Mas o que muda de maneira verdadeiramente notável é a atitude, o estilo de vida de grande parte dos que se dizem católicos.

Estende-se, cada vez mais, uma aceitação da religião como fenómeno de carácter étnico e cultural, em vez de experiência vital. Aumenta um tipo de comportamento no qual prevalece uma espécie de religião self-service. O homem contemporâneo, que deve afrontar o problema do sentido da vida e da morte não encontra propostas alternativas, que possam competir com a cristã, mas não pode falar-se de uma fé feita cultura e vida; quer dizer, muitos crêem que podem pertencer à Igreja, mas não seguir necessariamente as suas indicações. Urge um cristianismo mais vivido e não simplesmente herdado.

Há muitos pais que tendem a levar os seus filhos à catequese como se os levassem a um partido de futebol. Talvez convirá levar os pais também à catequese».

Preferimos trazer aos nossos leitores a voz autorizada de quem pelos cargos que ocupa na Igreja ou pela presença viva na sociedade nos traz a análise dos factos e apresenta as soluções para os problemas graves que abordamos.

Autoridade e responsabilidade conjugam-se no sentido de analisar o problema com objectividade, e perfeição neste momento em que até a Autoridade não é aceite, quando os problemas que aborda não se amoldam à vida da mesma sociedade.




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