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766. Meu caro leitor:

Mais um Natal à porta e um Novo Ano ao ferrolho! O Tempo foge, o Tempo voa! E com ele, cada vez mais os nossos devaneios, sonhos e ilusões!

N/D
17 Dez 2003

Mormente, o Tempo aflige, o Tempo dói! E com ele a dolorosa e doce saudade de Familiares e Amigos que da lei da morte se foram libertando e, agora, mais não são que um rasto fundo de lembrança!
E porque só se morre, verdadeiramente, quando se é esquecido, é nos Natais que os sentamos à mesa e os chamamos à Comunhão e à Vida! Não fora o Natal a festa da Família e o momento bom de, à mesa da Consoada, juntar Presentes e Ausentes!

Por isso é que já anda por aí à solta, já se agarra e sente um certo frenesim, uma pressa nas pessoas, nas luzes, nos enfeites, na música, nos embrulhos, mormente no espanto das crianças face à montra de brinquedos e a que chamam espírito de Natal! Espírito de Natal que vem das ruas, das lojas, dos centros comerciais, do consumismo!

Todavia, este não é, não pode ser o verdadeiro espírito de Natal!

O verdadeiro espírito de Natal, caro Leitor, está nos corações e consiste em dar esperança, distribuir alegria, praticar a solidariedade, ajudar a ser feliz, exercitar o amor! Em multiplicarmo-nos para crescermos na Paz, na Generosidade, na Partilha, na Fraternidade!

E isto podemos fazê-lo todos os dias, sem esperarmos pelo 25 de Dezembro de cada ano. Basta que redobremos de esforços, multipliquemos anseios e esperanças, nos reconheçamos mais nos outros! Por isso, é que Natal pode ser quando um homem quiser!

Agora, cada vez mais vivemos numa sociedade dividida e egoísta: de um lado os que exploram, excluem, humilham e ofendem e do outro, os que são explorados, excluídos, humilhados e ofendidos!

E num mundo onde cada vez mais impera o ódio, a violência, a guerra, a morte e a fome (por exemplo, basta pensarmos que 100.000 pessoas morrem, diariamente, à fome e 826 milhões vivem, permanentemente, subnutridas!) Como se o homem não passasse de lobo do homem!

Claramente, uma sociedade e um mundo muito longe do verdadeiro espírito de Natal!

Ora, perante isto, caro Leitor, que dizes? Que fazes? Quedas-te indiferente e modo, como se tudo te passe à margem, te não diga respeito? Ou sentes-te expectante, dorido e apreensivo?

Então, porque esperas? Avança, fala, denuncia e incomoda. Dói-te a boca de estar calada? Doem-te as mãos de estar fechadas? Doem-te os pés de estar parados? Dói-te o coração de estar distante, inerte e frio?

Só tens uma saída, uma oportunidade: abre-te à solidariedade, à generosidade, à esperança, à partilha, ao amor! Vai à procura da dor, da solidão, do abraço, da ternura, do calor que encontrarás, seguramente, no coração dos Outros!

Numa comunhão de afectos e cumplicidades! Num verdadeiro espírito de Natal!

E para que assim seja, te desejo e aos teus um santo Natal e um próspero Ano Novo e até de hoje a três semanas!




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