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Educação para a Saúde – um investimento para o futuro

Nas últimas décadas algo tem sido feito na educação para a saúde. Recordo as campanhas de vacinação e outras de carácter preventivo do alcoolismo, da droga e das doenças sexualmente transmissíveis.

N/D
16 Dez 2003

No entanto, julgo dever-se apostar muito mais neste sector, porque é sem dúvida um investimento capaz de gerar enormes ga-nhos de saúde, com a vantagem de não precisar de verbas avultadas. Algum trabalho e uma boa dose de imaginação poderia levar a cabo projectos muito interessantes e de grande alcance social.

Basta pensar nas potencialidades que hoje tem a comunicação social para poder aquilatar desta possibilidade. Não tem a rádio e sobretudo a televisão um grande impacto na vida das famílias portuguesas? Todos sabemos que sim. Então nada melhor do que saber tirar partido desta realidade e colocar estes meios ao serviço da educação para a saúde.

Sabemos que existe uma carência de conhecimentos elementares em boa parte da população portuguesa. Noções básicas que se adquiriam como que por osmose no seio da família, hoje deixaram de se fazer.

Noções simples de culinária, puericultura e outras deixaram de constituir património dos nossos jovens fruto das transformações ocorridas nos agregados familiares. Isto acarreta consequências a diversos níveis, susceptíveis de levar a consumos desnecessários, que seriam evitáveis se houvesse forma de colmatar boa parte destas lacunas.

Uma das formas de o corrigir seria organizar programas televisivos simples, objectivos e de utilidade reconhecida com periodicidade regular e em horários adequados. Deste modo, corrigir-se-iam falhas importantes na educação básica da população, com boa aceitação e de grande alcance social. É evidente que estas rubricas deveriam interessar de uma forma privilegiada o serviço público de televisão. Creio, no entanto, que a curto prazo os canais privados viriam a interessar-se pelos mesmos assuntos e também eles promoveriam rubricas idênticas quando verificassem os níveis de audiência captada.

Confesso que me dói a alma quando na prática clínica do dia a dia me apercebo de certas ignorâncias. Coisas tão simples como avaliar a temperatura, preparar um banho ou confeccionar uma simples sopa de cenouras são tarefas árduas para muitos jovens casais. Outro bom exemplo é o desconhecimento de muitos de como lidar com a febre, que à primeira subida do termómetro leva a angustias perfeitamente desajustadas.

Além de programas televisivos em que poderiam ser tratados temas tão variados como alimentação, puericultura, prevenção de riscos, ou como cuidar dos mais velhos, outras medidas deveriam ser implementadas. Aqui, penso não ser despropositado poder incluir no currículo do ensino básico uma disciplina de educação para a saúde adaptada às diversas realidades escolares.

Na quadra de Natal que atravessamos não quero deixar de fazer votos para que as transformações ocorridas na área da Saúde do decurso do ano de 2003 não sejam sementes caídas em terreno rochoso destinadas a mirrar no próximo estio. Desejo sinceramente que encontrem terreno fecundo e sejam capazes de trazer à população portuguesa a saúde que merece e aos muitos profissionais que a ela dedicam as suas vidas uma maior satisfação profissional e humana.




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