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O diálogo é muito bonito

Ademocracia em que felizmente vivemos é – como muitas estradas no nosso país – um caminho cheio de buracos e deficiências, embora não se tenha construído um melhor do que este. Mas mal iremos quando nos limitarmos a pôr o nosso voto de tantos em tantos anos ou a seguir umas sondagens ou barómetros que pouco mais dizem do que aqueles que as encomendam querem ouvir.

N/D
15 Dez 2003

A democracia é participação permanente em tudo o que diz respeito aos cidadãos e se aqueles que nos representam não cuidam de promover esta participação, cabe-nos a nós exigi-lo.

A que propósito vem este arrazoado? A propósito de assuntos importantes que se estão a decidir e que parecem ser cozinhadas fora da vista ou em zonas discretas ou secretas da vida pública e, depois, apresentadas como factos consumados (e in-questionavelmente legítimos).

Um exemplo: os meios de comunicação social – imprensa, rádio, televisão, Internet – têm ou deveriam prestar um serviço público aos cidadãos ou, pelo menos, não os deveriam ofender nos seus gostos e direitos, certo? Quem é que cuida de que essa missão seja cumprida e que sejam salvaguardados os direitos e deveres de todos? É uma entidade, à qual todos nós podemos recorrer, chamada Alta Autoridade para a Comunicação Social. A actual maioria – pelos vistos com o apoio do principal partido da oposição – quer reformular a natureza e as competências desta entidade reguladora. E se calhar até há razões de sobra para isso.

Quem elegemos para nos representar lá vai fazendo o que entende e provavelmente alguma coisa sairá daí. À praça pública vão chegando uns ecos distantes dos cozinhados que se preparam. Mas a pergunta que ocorre é esta: numa matéria que se liga directamente com os direitos e deveres dos cidadãos perante os media, será legítimo que um assunto desta importância seja “cozinhado” em gabinetes, secretarias e restaurantes e não salte para a praça pública e se torne objecto de reflexão e análise alargados? Dito de outro modo: será aceitável que um processo que se constitui como instrumento fundamental do escrutínio público dos media não seja ele próprio escrutinado e participado na fase da sua elaboração?

Em tempos não muito distantes, criticava-se o Governo da altura por dialogar muito e governar pouco. Agora, dialoga-se pouco. E o problema é que, pelo que se tem visto, também não se governa muito.




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