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D. Teodósio… Uma recordação

D. Teodósio, filho de D. João IV de Portugal, é um dos nomes que aparece ligado à proclamação de Nossa Senhora da Conceição, como Pa-droeira de Portugal.

N/D
12 Dez 2003

Em mais uma solenidade que surgiu no calendário litúrgico, quisemos saber algo dessa personalidade que aparecia na provisão do Rei que, entre outras coisas, afirmava: «… e lhe ofereço de novo em meu nome e do Príncipe D. Teodósio meu sobre todos muito amado e prezado filho… cinquenta escudos de ouro em cada ano… E da mesma maneira prometemos e juramos com o Príncipe e Estados de confessar e defender sempre (até dar a vida sendo necessário) que a Virgem Maria Mãe de Deus foi concebida sem pecado original».
A respeito deste Príncipe, citamos afirmações extraídas da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira: «[O Príncipe] foi Íris de serenidade… Todos os cronistas afirmam que o Príncipe era muito inteligente… revelava-se sociável e amigo dos pobres, o povo amava-o, louvando as suas virtudes…

D. João IV tinha-o feito rodear de excelentes mestres que vieram ministrar-lhe uma educação esmerada, aprendendo as línguas latina, grega e hebraica; equitação, esgrima, matemática, direito civil e canónico, história… passando grande parte do seu tempo que lhe ficava livre dos estudos nas igrejas a rezar e a assistir aos ofícios divinos».

Durante a sua juventude, Portugal encontrava-se em guerra com Castela por causa da Restauração e os exércitos encontravam-se sediados mormente na zona de Elvas para impedir a entrada dos exércitos inimigos por aí. E D. Teodósio, sem consentimento do pai, juntou-se às tropas lusitanas, mas seu pai temia a morte do filho ou que ficasse ferido gravemente, e a partir daí o relacionamento entre ambos agravou-se. Por outro lado, D. Teodósio era um jovem doente e não protegia devidamente a saúde. Acabou por falecer aos 19 anos de doença pulmonar.

Quem herdou o trono foi seu irmão, D. Afonso VI. Como Príncipe, «só se comprazia na convivência de aventureiros devassos e de indivíduos da mais baixa extracção, entregando-se com eles a correrias pelas ruas de Lisboa, armando escândalo e desordens de que não raro saía maltratado». Como rei foi mal sucedido, pois a esposa foi-lhe infiel e repudiou-o em favor de seu irmão, D. Pedro. Acabou destronado.

Esta antítese de carácter faz-me pensar num tema debatido nas escolas: a educação, a partir da obra de Eça de Queirós, Os Maias, segundo a qual a educação tradicio-nalista e clássica produz homens anémicos e doentes, enquanto que a educação física, desportiva e moderna gera homens dinâmicos e comprometidos. Talvez no passado houvesse vias paralelas e de opção, o que não acontece actualmente, pois a educação é global e integradora, sobretudo nos três primeiros ciclos.

A educação é um processo bastante complexo que inclui vários factores, desde o génio individual, a raízes culturais familiares e sociais, o convívio com pessoas de diferentes estratos sociais, o desporto, a alimentação, o ambiente e outros.

D. Teodósio escreveu com seu pai uma das mais belas páginas da história de Portugal: a consagração de Portugal a Nossa Senhora da Conceição e sua proclamação como Padroeira de Portugal.

Ainda distante no tempo, este acto solene antecipou a definição dogmática desse privilégio da Santa Mãe de Deus pelo Papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854.

As virtudes que praticou como jovem piedoso e santo foram a chave de ouro que lhe abriu as portas da eterna bem-aventurança. Assim o cremos.




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