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O comunismo perde em política

As alterações políticas verificadas na Europa em finais do século passado estão a verificar-se nesta Europa de que fazemos parte.

N/D
10 Dez 2003

A União Soviética dominou a Europa Oriental e comandou-a e tentou o mesmo na Europa Ocidental. Aqui, não teve êxitos similares aos registados na outra zona, mas teve acção perniciosa no plano político através dos partidos existentes e que viviam e propagavam o comunismo.
Nos últimos anos do século passado, assistimos já ao declínio dessa influência até em países que lhe abriram as portas como a Itália e a França.

Na Itália, o Partido Comunista colocava no plano interno um certo respeito pela política, ainda que fosse da direita; na França utilizava a actividade comunista com anseio de o transmitir aos países ibéricos não democráticos: a Espanha e Portugal.

Franco e Salazar embargaram-lhe o passo e ficaram-se além Pirinéus.

Surgiu, em sequência da segunda guerra europeia, uma actividade extraordinária política com o objectivo de restaurar a vida política e económica dos países vítimas da guerra: a Alemanha, a França e a Itália.

A reconstrução verificou-se e os políticos que governavam esses três países fizeram um trabalho extraordinário de recuperação económica, política e social.

Os factos comprovam-no. E chegamos ao novo século podendo ver os partidos comunistas sem expressão que incomode os governantes e a sociedade.

Acontece, até, que houve partidos políticos que tiveram evolução política interna.

Ultimamente a Alemanha trouxe um exemplo para todos os que vivem o comunismo. Não foi um exemplo de repressão.

Não. Foi um exemplo dado pelos próprios comunistas. É que o Partido do Socia-lismo Democrático (PDS, neocomunista) adoptou novo programa, no qual reconhece os princípios da economia de mercado. No plano político, não económico, aceita as intervenções militares para a manutenção da paz, mas sob a égide da ONU.

Ouvimos estes comunistas, face às realidades que se vivem, presentemente, é espantoso, no plano político e cultural, ouvir dirigentes comunistas portugueses a proclamar o que já morreu e não ajuda a viver e a melhorar a vida dos portugueses.

Entre nós, tem sido uma constante dos políticos comunistas e outros pararem e teimarem em ignorar os factos e a evolução dos tempos.

A política não pode fixar-se no tempo e olvidar a evolução do mesmo tempo.

A recente União Europeia que vai surgir, oficialmente criada e ordenada, é uma lição para os comunistas e demais políticos que não querem ver e julgar objectivamente os factos.

Vão entrar oficialmente na União Europeia vários países de Leste que foram dominados pelo comunismo soviético. Os políticos apelidam esta decisão de ampliação.

Curioso que os bispos da Comissão do Episcopado da Comunidade Europeia, referindo-se ao acontecimento, disseram: «A adesão de dez novos Estados membros vai ajudar a concretizar uma das esperanças mais queridas da Igreja: que a Europa respire com os seus dois pulmões».

Em comentário a esse facto, lemos numa revista espanhola «Deus é generoso ao oferecer-nos a oportunidade de acolher a estes irmãos que regressam ao seu sítio natural. A ideia de europeização da Europa é solidária com essa outra, tão insistentemente recordada pelo Papa, de cristianização da cristandade. Necessitamos recuperar a nossa mais autêntica identidade, não só como indivíduos mas também como povo».

Os comunistas, pelo menos os comunistas portugueses, não aceitam, para já, estas boas notícias históricas.

Permanecem, ao que se vê, insensíveis ao que se passa com partidos comunistas noutros países.
A evolução intelectual não os interessa, interessa-lhes a permanência no seu subjectivo e no seu sentir político.

Todos notamos e ultimamente tem-se dito nos órgãos de informação, que a política está estacionária e, quando age, atribuem-lhe um agir que não condiz com a realidade dos factos e da vida.

A hora é grave, por vários motivos: a União Europeia vai pressionar, os países vão ter de se amoldar às alterações que surgirem, e o cidadão tem de se preparar para se conduzir com inteligência e vontade neste percurso que se avizinha.

O exemplo alemão do Partido do Socialismo Democrático, neocomunismo, confirma-o.




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