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A Escola e a Família – suas megacompetências

É óbvio que é ao professor que cabe a responsabilidade de organizar o programa diário do aluno,de modo que ambos sejam recompensados

N/D
10 Dez 2003

5 Estratégias de Intervenção.
(9.ª parte)

II- Gestão de contingências

A gestão de contingências é uma técnica concebida para reforçar sistematicamente os comportamentos agradáveis ou prováveis que são contingentes a outros comportamentos menos agradáveis. (Relembra-se que contingência é uma relação de dependência entre dois comportamentos ou dois acontecimentos).

Premack estabeleceu um postulado de acordo com o qual, num dado momento, uma actividade atractiva pode reforçar uma actividade pouco atractiva, ou seja, comportamentos com elevada probabilidade de ocorrência podem ser utilizados como reforçadores de comportamentos com menor probabilidade de ocorrência. É o caso da mãe quando diz ao filho “come a sopa que eu conto-te uma história”.

O mesmo acontece nas salas de aula, onde o aluno tem a tendência a exibir comportamentos de alta probabilidade (C.A.P.) ou de elevada frequência e não outros de baixa probabilidade (C.B.P.). O que o professor tem a fazer é conceber ambientes de aprendizagem onde o aluno possa exibir os primeiros (C.A.P.) contingentes ou consequentes aos segundos (C.B.P.). É o caso da expressão comum “primeiro fazes os deveres e depois vais brincar”.

Convém interiorizar que se deve utilizar a actividade mais provável (preferida) para promover a actividade menos provável (não preferida). Assim, o professor deve dizer “vamos fazer alguns exercícios e depois brincar” ou “vamos ler a lição e depois poderão ler banda desenhada”, e não o contrário.

Para uso eficaz desta técnica com um aluno ou um pequeno grupo de alunos perturbadores, é necessário fazer “acordos” muito específicos e objectivos, para que eles saibam e percebam cabalmente o programa. Convém que se utilize um comportamento de cada vez, definindo o comportamento-alvo e atribuindo ao aluno que o realize uma recompensa imediata – o C.A.P. – pois é assim que se motiva o aluno, incentivando-o a cumprir o programa.

Frequentemente, os alunos perturbadores não vêem ligação entre o comportamento adequado e as consequências positivas. Contudo, se repetir com eles este sistema de recompensa, é provável que eles procurem caminhar na direcção correcta, no sentido de obter recompensas. Permitir ao aluno que escolha o C.A.P. constitui frequentemente um processo de negociação de grande importância já que se lhe permite, por uma vez, constituir-se em parte activa da distribuição de poder na aula. Este facto contribui decisivamente para que o aluno assuma a sua quota-parte de responsabilidade e se empenhe no seu êxito, esperando que o professor faça o mesmo. Esta poderá pois ser a oportunidade de passar do confronto à cooperação.

É óbvio que é ao professor que cabe a responsabilidade de organizar o programa diário do aluno, de modo que ambos sejam recompensados.

A título elucidativo, transcrevemos alguns exemplos de C.A.P. potencialmente reforçadores de C.B.P.: “tomar conta dos outros”; “ir ao quarto de banho”; “limpar o quadro ou o apagador”; “fazer recados”; “ajudar a avaliar os trabalhos”; “ser o líder num jogo de turma ou de uma discussão”…

(Continua nos próximos números)




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