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Estradas… pintadas de sangue

Já não é a primeira vez que os periódicos estrangeiros escrevem sobre os acidentes em Portugal.A situação é tão grave que alguns turistas que, normalmente, alugam carros para os seus circuitos turísticos, chegam a confessar medo de viajar nas estradas e auto-estradas, para além de terem sido roubados e burlados em algumas cidades.

N/D
9 Dez 2003

Quem lê fica com a impressão de um país de Terceiro Mundo, semelhante ao Egipto, Quénia, Sri Lanka, Marrocos e Turquia… onde não há disciplina e é péssima a sinalização. Faltam condições de segurança, mesmo nos veículos, para além de uns tantos fazerem exibição de marcas e “bombas” estrangeiras, com ultrapassagens de qualquer maneira e feitio, sem respeito pelas prioridades, pelos outros automobilistas, ou assustando-os com as suas máquinas pomposas… Não falando já nalguns noctívagos, alcoólicos e desenfreados nocturnos, saídos das discotecas… Muitos desafiam os outros, com sinais de luzes, cujos máximos não reduzem, provocando encandeamentos em cadeia, sem medir as consequências.
Como razão e factor de tantos acidentes alegam outros as más condições das estradas e acessos mal conseguidos, o estado dos veículos, envelhecimento, falta de segurança técnica, de respeito ou deficientes sinalizações, como as péssimas lições das escolas de condução, que habilitam a responder a questões abstractas e deveriam também ser acompanhadas por um psicólogo, pois não preparam convenientemente para futuras situações imprevistas, atirando assim a responsabilidade uns para os outros…

Como foi possível chegar a isto?

As coimas, demasiado elevadas, têm surtido pouco efeito. Porquê? A implantação do radar será o suficiente para os mais apressados, como as zonas de aderentes na auto-estrada não serão ainda o acicate e estímulo de alguns emproados, enquanto outros tiram o bilhete?

Não existe moral capaz nem código; e o comportamento na estrada mais parece o retrato vivo de um país de corrupção, mentira, vaidade e do salve-se quem puder.

Mas que grande embrulhada, a juntar a tanta falta de respeito e disciplina, tornando-se as estradas das mais perigosas e um calvário da Europa!

Será mesmo um destino inelutável, em que parece que todos apostaram em destruir o País e fazê-lo de mutilados, fanfarrões, e corredores desenfreados?

Um jornal dizia mesmo que, nos últimos 10 anos, com mais de 20.000 mortos, não contando mutilados e deficientes, cifram mais do dobro dos soldados que pereceram na guerra colonial em África, durante 14 anos. Já pensou nisso o nosso avô Mário Soares, embora “de minimis non curet praetor”?!

Não se entende esta carnificina e holocausto!

Como português, também tenho medo de circular nas nossas estradas… Algumas, labirintos de paciência e paisagem horrorosa, estreitas e com lombas de lombrigas e lesmas acicatadas, que, de vez em quando, estendem o espinhaço, no meio de pinhais esguios ou queimados.

Estamos mesmo preparados para receber os hóspedes que nos visitam no EURO 2004?

É assim que os vamos receber e mostrar o que somos?!

Até quando?




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