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Alguma farsa no laço encarnado

Novamente no passado dia 1 de Dezembro fomos chamados a reflectir sobre a problemática da sida, desde as suas consequências até às causas. Muitos canais de televisão foram engalanando o canto superior (normalmente) direito com um laço encarnado, qual distintivo de quem está em luta/combate contra a sida.

N/D
7 Dez 2003

Desde logo valerá a pena distinguir – ou talvez denunciar – certos/as protagonistas desta propaganda: vimo-los mais a apresentar as consequências trágicas dos números do que a procurar as verdadeiras causas; vimo-los – concretamente nas reportagens um tanto folclóricas do espectáculo do São Luís, em Lisboa – mais como ‘artistas’ do que como pessoas sérias preocupadas com os vindouros; vimo-los mais no papel de provocadores/as – veja-se o concerto da África do Sul, com cobertura ao nível mundial – de futuras vítimas da sida do que reconhecendo-se culpados/as dos dramas em curso; vimos mais uma política do preservativo barato – em maré de saldos, mesmo que nem sempre descobrindo a vulnerabilidade do método e com campanhas de vulgarização nas escolas – em favor de uma certa promiscuidade… sem-rei-nem-roque.
É grave a proporção das vítimas da sida desde a consciencialização da doença ao nível mundial: cerca de quarenta milhões de infectados, mais de treze milhões de órfãos, países inteiros em risco de desaparecerem (sobretudo na África sub-sariana, numa estimativa de vinte e oito milhões) tal é o seu impacto entre os mais novos… Tudo isto está a criar uma crise civilizacional, se não for atalhado o que dá tais consequências.

Com efeito, ainda se há-de agradecer ao Papa João Paulo II – na sua intransigente defesa da cultura da vida, sem se deixar atemorizar com rótulos de ‘tradicionalista’, ‘conservador’ ou mesmo ‘fundamentalista’ – pois, desde sempre, teve a coragem de apresentar a doutrina católica em moral sexual personalista, sem subterfúgios ou em busca de consensos populares. Assim fossemos capazes de viver, todos, de acordo com as exigências do Evangelho, questionando e sendo questionados sobre as cedências ao mais fácil, ao permissivismo e à tendência dominante em matérias em que a pessoa humana é ofendida na sua dignidade, quanto aos seus direitos e em relação aos seus consequentes deveres.

Não é com campanhas do ‘laço encarnado’ nem simulações de abraço(s) que contribuiremos para uma sociedade mais fraterna, mais justa e solidária. A vida tem outras exigências e novos desafios, quando conduzida pela civilização das virtudes… cristãs!




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