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Nós e a política…

Algo corre mal, sendo a crise uma realidade assumida. Mas, se a política tem influência na nossa vida, como acreditar no divórcio entre eleitos e eleitores?

N/D
4 Dez 2003

Rostos desolados, tristes, são um sinal visível da incerteza que os portugueses vivem. Ao confiar nos eleitos, transferindo através do voto o único momento de poder que tem, o cidadão espera ver os seus interesses defendidos por aquele que ajudou a eleger. Supostamente, assim devia acontecer; porém, não esqueçamos que o eleito por vezes nem sequer é da região e logo aí o vínculo não existe.
Na Assembleia da República, os políticos têm regras, partidos e ideias que discutem a um nível diferente das bases eleitorais. De facto, existe um grande hiato entre nós e os nossos representantes políticos. Também aos trabalhos parlamentares não é dada amplitude na TV a horas nobres, de maior audiência. Ao menos um resumo alargado, visando informar o cidadão das actividades desenvolvidas pelos seus representantes. Seria desejável obter respostas a perguntas que nos parecem merecer alguma curiosidade.

Soluções previstas para a crise? Opções para resolver o problema do desemprego? Quem defende quem? Porquê a notoriedade sistemática dada ao caso Casa Pia? Como actua a Justiça? Que prioridades no Orçamento?

A actuação dos políticos, seja qual for o órgão, parece ter pouco a ver com as realidades que o cidadão enfrenta no quotidiano.

Os apelos à produtividade e à auto-estima não chegam para motivar quem vê todos os dias não poder atender necessidades básicas, como alimentação, livros ou despesas correntes da família.

A crise política e económica surge, por vezes, acompanhada por uma crise de valores, de ética e de moral. Qual a mais grave! A necessidade de convergência entre todos os sectores políticos e económicos, a prioridade de escolher e actuar de imediato no campo social, devem motivar os políticos para solucionar a crise onde ela se torna mais visível.

De nada valem os novos estádios, auto-estradas ou aeroportos, TGV ou Euro 2004, se o povo estiver distante, desmotivado, desempregado, vivendo o amanhã com a angústia de mais um dia. A pompa e grandeza podem colher elogios internacionais, mas não curam nem resolvem as necessidades básicas do cidadão. É natural admitir hoje que o problema da qualidade na educação será resolvido com o aumento das propinas! O povo aguarda que novas soluções sejam apresentadas como medidas capazes de relançar a economia.

A esperança, afinal, existe; mas está débil, necessita de ver sinais de melhoria, pretende que a política se exerça em pleno e seja o destino das grandes decisões, que melhorem o seu nível de vida e permitam enfrentar o futuro com menos apreensão.

Comparar o país a uma pirâmide e admitir que a crise só existe do meio para baixo é, afinal, uma dura realidade.

É tempo de a política estar com todos e procurar resolver os problemas dos portugueses. Se calhar, é mais importante garantir postos de trabalho que optar por decisões mais esplendorosas noutros sectores.

O país, os políticos e o cidadão têm de estar sempre juntos nos bons e maus momentos; só assim surgirão o equilíbrio e o progresso. O futuro dos portugueses não deve continuar a ser a dúvida do amanhã.




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