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A grave crise do ensino

Está-se a viver uma grave crise familiar, na qual intervêm com graves responsabilidades, os próprios membros da família, os órgãos de cultura e de ensino e os políticos.

N/D
3 Dez 2003

“Alfa y Omega” revista espanhola que se insere, semanalmente, no jornal diário ABC, referiu-se a este problema, dando-lhe o seguinte título: «O pai, hoje, mais ausente da família que nunca».
Ao olharmos para a vida familiar a decorrer nos nossos dias, deparamos frequentemente com estas realidades:

– Os pais, além do seu trabalho diário, preocupam-se com o bem estar futuro dos filhos, bem estar económico, e são negligentes com as exigências da educação e da formação do jovem.

Com frequência vemos os pais a correrem para as escolas onde os filhos estudam, a pedir os favores dos professores ou a ouvir-lhes as suas informações sobre os filhos, preferindo, sobretudo, o êxito nos exames, e descurando a informação devida sobre a conduta, a boa educação dos filhos.

Os pais, muitos, querem a garantia material dos filhos e não a respectiva garantia moral e cívica.

A educação não conta.

Esta triste realidade registou-a o catedrático espanhol da universidade de Deusto, Javier Elzo com esta clareza e objectividade: a sociedade espanhola «sofre uma crise de autoridade, em grande medida, como consequência dos quarenta anos do anterior regime autoritário. A ele se uniu o facto de em Espanha a geração que fez a transição aplicar a máxima de Maio de 68 de proibido proibir. Isto deu lugar a uma socie-dade de direitos sem o correlativo dos deveres e das responsabilidades.

Ninguém se responsabiliza de nada. Tudo é responsabilidade diferida. Também na família, obviamente. Se algo vai mal, a culpa é da escola, da televisão, da sociedade, do antro, do pai, diria a mãe, e vice-
-versa. Educaram os filhos nesse clima de meros sujeitos de direitos e muito pouco de responsabilidades. Colocaram os filhos num pedestal… embora se lhes tenha dedicado pouco tempo, há que dizer tudo».

O autor desta transcrição acrescenta: «Os meios de comunicação, por sua vez, contribuem para manter um estado das coisas no qual não só não se apresentam alternativas, como as mesmas alternativas costumam ser criticadas e ridicularizadas. A falta de criatividade dos jornalistas, especialmente nos programas da televisão, assassina o sentido comum, e criam-se estados de opinião fictícios que tentam vender como verdadeiros e reais».

D. José Luis Gutirrez, membro do Conselho Pontifício para a Família, afirma que «houve sempre crise, mas a actual apresenta características inéditas. O sentido superegoísta e individualista da liberdade.

Hoje considera-se, por parte de ideólogos e de muitos meios de comunicação que a melhor via de realização do homem é deixar aberta toda a janela de possibilidades que o homem pode realizar com a sua liberdade».

Trouxemos para os nossos leitores textos muito objectivos e actuais que podemos conferir com o que os nossos sentidos sentem nesta hora grave da vida familiar, social e pública.

Deu-se guarida e, até, facilidades ao negativo e desprezou-se o que é fundamental na vida do homem como pessoa e como cidadão. Também em Portugal se verificam realidades, bem negativas, que vemos apontadas em Espanha. E, infelizmente, à sombra da liberdade, protege-se, até, o negativo.
A máxima de Maio de 68, «proibido proibir» também ganhou campo aberto entre nós.

Veja-se o que se passou em estabelecimentos de ensino nos quais os alunos tomaram a primazia e os professores não podiam proibir. Registam-se cenas caricatas em alguns estabelecimentos de ensino que agravaram a ordem, o respeito e a mútua colaboração.

A liberdade total suplantou a disciplina consciente e responsável, afectando professores a disciplina interna dos estabelecimentos de ensino e as decisões pessoais e responsáveis dos professores, os quais não se sentiam coadjuvados por uma disciplina consciente e responsável.

Os efeitos estão à vista: o ensino decaiu, a ordem desrespeitou-se, e a colaboração mútua de professor e aluno não frutificou.

O professor Jorge Miranda disse em entrevista de 7 de Outubro no semanário “O Diabo”: «Os alunos chegam à universidade muito mal preparados em português, têm dificuldade em falar, têm dificuldade em escrever, tem pouca cultura geral. E eu fico a pensar o que é que se passa no ensino secundário. Isto está também ligado à democratização do ensino».




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