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A Escola e a Família – suas megacompetências

Proporcionar aos alunos “menos bons” momentos de atenção constitui, para além de uma “obrigaçãopedagógica”, uma forma eficaz de prevenir ou de obviar o surgimento de comportamentos perturbadores.

N/D
3 Dez 2003

5 Estratégias de Intervenção
(8.ª parte)

I – Reforço Social
(continuação)

d – A princípio, o reforço deve ser sistemático e insistente

Ao encetar a técnica do elogio social de uma forma organizada, deve-se ser pródigo. No início, é necessário reforçar o discente sistematicamente, ou seja, com uma frequência quase inusitada.

Deste modo, perante alunos de motivação muito deprimida, o docente tem que usar um esforço adicional de promoção de comportamentos positivos. Estes devem ser reforçados continuamente quando o aluno perturbador não revelar uma atitude aceitável, mesmo que o professor pense que o discente já teria obrigação de se comportar como os outros.

Nesta fase inicial, aquilo que poderá variar é essencialmente o montante do reforço utilizado.

Posteriormente, à medida que o discente se for aproximando dos padrões exigíveis, é preferível que o comportamento passe a ser reforçado de forma intermitente para evitar o efeito de saciação (acontece quando o comportamento é reforçado continuamente para além do tempo necessário ou em fases elevadas, podendo o aluno atingir o limiar da saturação, transformando-se o reforço num estímulo agressivo que pode provocar a rejeição).

Por conseguinte, as variações devem ser utilizadas com parcimónia, prudência e a noção de que cada discente é um caso e de que o contexto específico onde se desenrolam os comportamentos é decisivo na sua configuração.

Em teoria, um comportamento (uma vez estabelecido) reforçado intermitentemente, a intervalos e em montantes variáveis, resiste fortemente à extinção após a retirada do reforço. Com efeito, logo que tudo esteja a correr como o pretendido, o número de reforços deve diminuir de frequência. É certo que o reforço sistemático é o ponto de partida para a promoção do comportamento-alvo, mas, quando este passa a incorporar o “reportório comportamental” (conjunto de atitudes ou competências que um indivíduo possui e é capaz de exibir adequadamente nas diversas situações da sua vida quotidiana) do aluno, é mais natural e plausível reforçá-lo intermitentemente e em montantes eventualmente inferiores. Trata-se apenas da manutenção de um comportamento já estabelecido (que o próprio estudante passou a considerar normal ou natural) e não mais da promoção de posturas que o discente resiste a exibir.

Nesta fase do processo, a interacção normal entre professor e aluno já será mais positiva, e um sorriso, uma carícia ou algumas palavras simpáticas poderão ser suficientes para assegurar o desenrolar positivo dessa relação. Como exemplos de estímulos simples, podemos referir também algumas referências ou registos, tais como: “Bom trabalho!”; “Maravilhoso!”; “Estás a melhorar!”; …

Proporcionar aos alunos “menos bons” momentos de atenção constitui, para além de uma “obrigação pedagógica”, uma forma eficaz de prevenir ou de obviar o surgimento de comportamentos perturbadores.

É óbvio que a aprendizagem de comportamentos relativos a tarefas novas é feita paulatinamente; por isso, deve dar-se atenção cada vez que o aluno se aproxima do comportamento-alvo pretendido. Por exemplo, se o discente gritar “eu sei, eu sei” ao mesmo tempo que levanta a mão, esta atitude deve ser reforçada pelo facto de ter levantado o braço, mesmo que o objectivo seja que ele cesse de gritar. As mudanças súbitas de comportamento não são possíveis. É necessário conceder tempo ao discente e estimulá-lo a persistir no seu esforço diário.

Daí se inferir, como regra (e não como postulado dogmático), que o reforço deve ser contínuo de início, passando mais tarde a ser feito de forma esporádica.

(Continua nos próximos números)




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