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Se o comboio não vem a Braga, vá a estação de Braga ao comboio

Estamos hoje perante um assunto, a paragem ou não do TGV em Braga, que ultimamente tem suscitado inúmeras declarações e posições públicas por parte de alguns dos principais intervenientes locais. Pelo menos, conhecem-se as posições do presidente da Associação Industrial do Minho, do presidente da Câmara Municipal de Braga, da comissão política concelhia do PPD/PSD de Braga, do deputado famalicence e Vice-Presidente da comissão política distrital do PPD/PSD de Braga, e da comissão política concelhia do CDS/PP de Guimarães.

N/D
2 Dez 2003

Contudo, a estas recentes posições poderemos adicionar umas outras bem diferentes, proferidas por alguns dos atrás referidos, tomadas numa sessão pública que em boa hora a Associação Industrial do Minho patrocinou, para a discussão da problemática do TGV, a que chamou de “TGV – o comboio que o Minho não pode perder” e que decorreu em Junho de 2002. Esse evento inseria-se na operacionalidade de um dos três eixos estratégicos da actual direcção da AIM para o actual mandato, sendo os outros dois, a Escola de Negócios e o também apelidado “Silicon Valley”.
Em 20/06/2002 tornei público no Diário do Minho, que me parecia que o TGV interessava mais a muita gente pelas centenas de milhões de contos envolvidos, do que ao País. No entanto, o facto é que o Estado Português decidiu avançar nesse sentido, e como essa decisão já não terá retrocesso, convém agora tomar as decisões políticas e operacionais mais acertadas. Embora não sendo técnico, conheço, como utilizador do transporte ferroviário, alguma dessa realidade. Sou um dos muitos bracarenses que utilizam o Alfa para se deslocarem do Porto a Lisboa e vice-versa, e amiúdas vezes utilizo os comboios em alguns países da Europa. Por exemplo, no mês passado para ir a Bolonha, fui na TAP até Milão e daí apanhei o EUROSTAR até Bolonha, revelando-se uma solução muito prática e financeiramente mais favorável que qualquer outra alternativa. Na Europa, a realidade de uma rede ferroviária de transporte eficaz e ao mesmo tempo eficiente, é incontornável e a aposta actual e do futuro. Daí que o importante seja estar na rede e não à margem da rede.

Acontece que a anunciada ligação do Porto a Vigo, parece que de alta velocidade só terá o nome, pois andará a pouco mais de 200km por hora, velocidade inferior ou similar à que os actuais Alfas pendulares alcançam. O que vem dar razão a muitas vozes que diziam que em Portugal talvez a única linha que justificaria alta velocidade fosse Lisboa-Porto, pela distância e pelo mercado de utilizadores.

Mas embora o facto da distância Porto-Vigo não justificar a alta velocidade, torna-se uma enorme oportunidade para toda esta região de mais de 300 mil habitantes pressionar e usufruir também dos milhões de contos que irão ser investidos neste projecto. Nesse sentido a posição de espectador do actual presidente da Câmara Municipal de Braga é a pior para o benefício de toda a região. Este é um projecto estruturante que a região não pode ver passar ao lado. Mas não é o comboio que tem que vir a Braga, como alguns defendem. Confesso que costumo ironizar, dizendo que o TGV vai sair do ramal de Braga em marcha-atrás.

O que eu coloco há muito tempo em discussão, é que Braga é que tem que ir ao encontro do comboio. Daí defender que a estação de Braga tem que estar na rede e não num ramal. As estações de Bolonha e Florença, por exemplo, estão na linha entre Milão e Roma, como está Aveiro na linha Porto-Lisboa. Não se pode perder a oportunidade de criar uma grande estação ferroviária central para o Baixo Minho, no meio do triângulo Braga-Barcelos-Famalicão. Uma estação dentro da rede, com todas as condições, a cinco minutos de cada uma das três cidades servindo mais de três centenas de potenciais utilizadores. Ganham todos, ganha o País e ganha a região. Se a posição do presidente da Câmara de Braga continuar a ser esperar pela decisão dos técnicos, quando deveria ser a de liderar um movimento de defesa dos interesses da região, deixo um apelo a outros intervenientes públicos, que actuem para não se perderem as oportunidades deste projecto estruturante. Remendar, como estamos habituados, neste caso não será possível. Será que não chegou a altura do senhor presidente da Câmara de Vila Verde fazer o papel daqueles que não fazem o seu?




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