Fotografia:
Estes publicitários…!

Já viram as maravilhas que os brinquedos não fazem nos anúncios de televisão?! Já repararam como os aviões de brincar fazem acrobacias, como os carros disparam a toda a velocidade, como os heróis voam no universo das suas aventuras? E já viram, sobretudo, o olhar seduzido das crianças, que embarcam na estratégia construída precisamente para as seduzir e as levar a impor a sua vontade aos adultos?

N/D
1 Dez 2003

É claro que muitas crianças adquirem cedo a percepção de que os anúncios se destinam não tanto a informar das características de um produto, mas a montar um enredo e uma ambiência para encantar, induzir a compra e criar o sentimento de que quem não tiver o dito cujo será como alguém a quem falta-lhe qualquer coisa. Mas continua a haver também muitas outras crianças, culturalmente mais desguarnecidas e desapoiadas, para quem esta aprendizagem básica não foi incorporada e que se podem sentir muito mais envolvidas pelas “vozes de sereia” que tais anúncios comportam.
“Estes publicitários são uns exagerados!” – era o slogan (publicitário, está bom de ver!) que um anúncio nos brindava, aqui há uns anos. E ele bem se adequa, por estas alturas, à dose maciça de anúncios de brinquedos, que as televisões diariamente despejam, fazendo crer que um Natal feliz é um Natal com montes de brinquedos.

O que seja a publicidade, o modo como ela opera, a sua importância social, as suas vantagens e os seus riscos, os números que movimenta, os símbolos e mitos de que deita mão, a importância que tem para os media e os direitos e deveres dos consumidores (e dos próprios publicitários) perante ela – eis alguns pontos que merecem ser mais conhecidos pelos cidadãos, para que possam assumir uma posição crítica perante o fenómeno.

Não digo que o que importa é defender-se da publicidade, visto que isso equivaleria a reconhecer que a publicidade é, em si mesma, algo de negativo. Apesar de essa cultura anti-publicitária se encontrar muito difundida – inclusive nos ambientes mais consumistas – o fenómeno publicitário é bem mais complexo do que esse negativismo poderia fazer pensar.

Até para os cidadãos se defenderem de forma mais eficiente dos riscos – que também os há – essa compreensão mais aguda e esclarecida torna-se vital. E para ser eficaz com os adultos, bem precisava de se iniciar cedo, desde a mais tenra idade e, desde logo, na família. Quando o brinquedo se converte em moeda de troca da educação e se substitui à qualidade da relação, temos, muito provavelmente, o caldo entornado.




Notícias relacionadas


Scroll Up