Fotografia:
Espectáculo degradante

Foi há dias (11 de Outubro, à tarde). Junto à rotunda da Universidade do Minho (?), um grupo de universitários (eles e elas), alguns empoleirados sobre a placa do quiosque, em episódio de praxe.

N/D
28 Nov 2003

Com gritaria histérica, diziam frases com o calão mais baixo, reles, aviltante, em estilo narrativo-descritivo do acto sexual, recorrendo a frases e termos que tentavam embrulhar em pobres onomatopeias… Eu mesmo parei e pude ouvir até à náusea, na terminologia mais ordinária que a das casernas ou até prostíbulos, arengar – aos praxados, julgo eu – de forma tão realisticamente baixa, enquanto alguns adultos observadores abanavam a cabeça, em sinal de tristeza e condenação. Um espectáculo de linguagem a reclamar saneamento com vassoura e lixívia…
Depois, em comentário com quem me acompanhava, interroguei-me, mais uma vez, sobre a degradação a que as “praxes” chegam, por vezes… Integração dos “caloiros” em ambientes como aquele!? Não; a ser assim, melhor seria deixarem desintegrados esses rapazes e raparigas para quem a palavra “dignidade” tem ainda algum conteúdo… Tanta coisa linda, boa, formativa, informativa, cultural, desinibidora e cativante que poderá fazer-se com “praxes” dignas do nome!…

Eu sei que ainda não será a maioria dos estudantes a pautar a sua conduta por tais ignomínias. Ainda bem que assim é. De outra forma, um jovem (rapaz ou rapariga) bem formado com o sentido da dignidade teria que malsinar a sua entrada no ensino superior, pelo choque violentíssimo que sofreu quando foi sujeito a coisas tão degradantes…

Ai da sociedade que baseasse o seu futuro em comportamentos tão contra-humanos…! A palavra “estudante” deveria conter no seu significado mais cultura, maior responsabilidade, mais elevado grau de educação. Quem assim procede contradiz-se quando, no fim do curso, vai ao Sameiro pedir a bênção das pastas…

Tenho muito respeito pelos estudantes dignos do nome. São os futuros dirigentes da sociedade. Só não posso concordar com baixezas morais, condutas impróprias de gente, passeadores de livros que se arrogam maior dignidade consoante os anos que perdem, colocação de cadeados nas portas das escolas como se fossem pertença sua e de mais ninguém…

Baterei palmas, sempre que os estudantes forem alavancas de levantar o País. Mas direi sempre “não” a espectáculos deprimentes cujos actores e autores forem, embora, estudantes…




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