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Pão & Pau!… Correlação de amor verdadeiro?Temos assistido, nos últimos tempos,

Temos assistido, nos últimos tempos, a inúmeros casos de denúncia de maus tratos a crianças – casos de pedofilia (institucionais ou de índole pessoal), propostas de criminalização de abusos em crianças, proibição de quaisquer castigos corporais em crianças… sempre numa (pretensa) defesa dos direitos da criança, que de tão absolutizados como que incorremos numa certa culpabilização social colectiva de consequências imprevisíveis…

N/D
27 Nov 2003

De facto, em reacção a medidas correctivas exageradas – em que se era capaz de bater e/ou castigar uma criança por tudo e por nada – estamos agora a assistir à intocabilidade de qualquer criança, mesmo que esta cometa a maior ofensa à dignidade dos outros, sejam eles pais, professores/educadores ou outros ‘legítimos superiores’!
Nalgumas propostas de defesa das crianças nota-se um certo proteccionismo a roçar a compensação por algum castigo infligido aos/às visadas nessa defesa. Por outro lado, como que se nota ainda uma tentativa de colmatar lacunas/traumas de quem terá sido castigado injustamente (ao menos na forma psicológica) e agora como que se sublimam essas feridas com paternalismo/maternalismo doentios…
Em toda esta quase esquizofrenia social temos a sensação de que é preciso questionar os promotores de tanta vitimização:

* Estaremos sinceramente a educar as crianças quando as protegemos, dando-lhes até o que nem sentem necessidade?

* Quem está em crise não serão os educadores (pais, professores, encarregados substitutos) um tanto baralhados com novos modelos educativos?

* A quem interessa a promoção do mono-filho (em tempos de antanho apelidavam-se de ‘morgados’, com toda a caracterização que lhes estava adjacente) nesta cultura egolátrica?

* Teremos sabido saber formar a consciência da valorização correcta entre os filhos (dizemo-lo no plural com tudo quanto isso possa significar) e o carro novo, a casa de campo/fim de semana, a mobília, as viagens de férias e outras mordomias tanto da moda?

* Como enfrentar a subtileza da preferência de aconchego ao cão e ao gato (não será preciso que seja concomitante) em detrimento das pessoas? Estas, de facto, logo desde o nascimento, criam exigências, que aqueles nem sempre reclamarão… Será compatível tal afectividade sem concorrência?

Dizia-se que ‘quem dá o pão, dá o pau’, isto é, que quem alimenta o corpo também cuida da educação. De facto, em certas circunstâncias houve demasiado pau, embora não tenha – felizmente na maior parte dos casos – faltado o pão. No entanto, parece chega a hora de saber dar o pão sem se eximir a dar o pau (não precisa de ser de vergasta, chinelo ou cinto, como em tempos passados) – com conta, peso e medida – quando tal for necessário. Afinal, só se corrige a quem se ama e, consequentemente, quer o melhor bem!




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