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As mulheres e… o futebol

Para onde caminhamos com tais lances de ambições?

N/D
25 Nov 2003

Começa por inflamar em ti o que queres ver a arder nos outros…(S. Agostinho)Num mundo de muito falar e pouco silêncio, cada vez mais é actual a máxima em epígrafe.

A uma profusão de palavras, comportamentos e de treta, faltam os exemplos e as accões que arrastem, estimulem não para baixo, mas para cima…

O nosso mundo está cheio de palavras, de conversa, mas pouco de atitudes. Nisto são exímios os portugueses, gostando sempre de se encobrir num sonambulismo de palavra, como ingrediente a compensar a falta de acção, de promessas, sebastianismos e muito pouco realismo. Somos fortes no sonho, inseguros nos projectos, limitados nos contornos, criando uma pseudo-ilusão, confundindo até o que somos com o que gostaríamos de ser… Talvez isto explique muitas das nossas deficiências e até um certo nacionalismo tacanho, que nos leva a avaliá-lo em critérios de imediato, efémero, mas que nunca nos abalizará numa perspectiva de futuro: endeusamos o futebol, sonhamos em ser campeões, queremos “doutores”, mas não qualidade nas escolas…

Com grandes complexos de modernidade, queremos ser os melhores, ombrear com os grandes, ruminamos a nossa história, mas não a conhecemos nem a vivemos como agentes ou heróis, que a continuam numa epopeia ou odisseia secreta. Por isso sentimos profundamente as invasões do exterior, como inimigos ou estranhos, só porque puseram em questão o nosso reino, sonho ou leito edulcorado em que dormimos. Por isso criamos panaceias e fazemos muitas coisas que copiamos dos outros, mas nunca convencidos nem da força deles, nem capazes de medir ou avaliar as nossas fraquezas. Por isso preferimos alienar-nos, cortar com mitos ou tradições e uma certa intelectualidade ou pseudo- intelectualidade gosta de impor Icaros, ou cortar com o que faz parte da nossa essência de povo humanista e fortemente marcado por tradições, e mesmo mitos religiosos, que captamos sempre de maneira superficial ou exterior. Fazemos tudo, discutimos tudo e, por fim, aceitámo-lo resignados, sem convicção nem consciência do que fazemos.

Não seremos assim até no futebol? Fizemos grandes arenas como “catedrais ou basílicas de dragões”, mas ganharemos o campeonato? Pagamos muito a jogadores estrangeiros, que se riem de nós… e criamos até equipas de futebol feminino, para combater panteras, que, em poucos momentos, nos reduziram ao mínimo que somos, nem para o que fomos feitos…

Assim aconteceu com a equipa de futebol das mulheres na Alemanha, ao jogarmos com as campeãs mundiais, com um inédito e bombástico desaire, perdendo por 13-0. Onde estão as Deuladeu Martins, Rosas Motas e padeiras de Aljubarrota? Não teria sido melhor termos ficado em casa, a treinar primeiro, e medir as nossas forças e limitações perante rivais muito mais poderosas, não apenas no futebol, mas em quase tudo?

Pobres futebolistas! Quando estava a despertar uma vertente, que poderia obviar o desemprego, surge esta derrota, que lhes cortou as pernas e as asas da ambição, reduzindo-as às panelas e às universidades, onde , até em Portugal, já ultrapassaram os homens… Para onde caminhamos com tais lances de ambições? Seremos apenas o eco do que gostaríamos de ser, ou será que assistimos a uma geração de “reumáticos”, onde as mulheres, tomando a trela, querem arrastar os homens?

Quem viver, verá, mas que o nosso mundo anda muito confuso não tenho dúvida. Que Portugal sofre de grande daltonismo, senequismo e mesmo de complexo, também é verdade, mas não creio que serão as mulheres a tirar-nos do látego em que caímos. De qualquer forma, no imbróglio da Casa Pia, portaram-se melhor que os homens. E no futebol? A ver vamos. De admiradoras e campeãs de corridas – talvez com mais uns treinos feitos por homens -, nos deixem noutros lençóis nos futuros campeonatos com as alemãs. É que com este com esta estirpe é preciso estar atento e não se brinca. Mulheres que são computadores na cabeça, dinamite nas pernas, electrões nas veias, ainda que enferrujadas, mas com falta de ferro, sobretudo na adolescência, embora, por falta de sol, com menos iodo que as do Sul… No entanto, se para se impôrem, têm de ser duplamente melhores que os homens, onde nos levará este frenesim de velocidade, se acicatado pela astúcia viperina?!




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