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Função pedagógica dos ‘opinion makers’

Na primeira quinzena de Novembro uma revista de grande tiragem – apelidada de referência, embora com uma conotação política suficientemente definida, da qual sou leitor semanalmente desde o primeiro número – fazia assunto de capa com um dos ditos ‘opinion makers’ (isto é, comentadores ou na tradução mais literal: ‘fazedores de opinião’) mais conceituados do panorama da comunicação social portuguesa: Marcelo Rebelo de Sousa.

N/D
23 Nov 2003

Declarações, comparações, melindres e conjecturas perpassaram oito páginas sobre o assunto. No entanto, a principal ‘preocupação’ parecia situar-se quanto à real influência dos apelidados ‘opinion makers’ no eleitorado, tanto de direita como de esquerda – como se estes conceitos ainda signifiquem qualquer coisa na linguagem e comportamento sócio-político – na concorrência do «share» televisivo ou na leitura de factos e pessoas em análise!
Cada vez mais parece que se mede a aceitação/credibilidade dos jornais/revistas, rádios/televisões pelo leque de colaboradores até mais do que pelos jornalistas profissionais, muitos deles arregimentados, assalariados e vinculados a quem lhes paga, certamente reveladores da linha editorial do meio de comunicação social em causa.

Numa época tão volátil e avessa à reflexão pessoal e interpessoal parece que quem pense, discerne e procura a razão de ser das coisas, implicando pessoas, se está a tornar ‘ave rara’ com protagonismo mais ou menos consentido por um público um tanto acrítico, amórfico e abúlico.

É preciso reflectir sobre o que nos acontece, por forma a sacudir a banalidade das circunstâncias, a futilidade das maiorias ou a vulgaridade das sondagens.

A pluralidade dos comentadores/colaboradores/articulistas não faz obnubilar as ideias que os movem, mesmo os que tentam reclamar-se de ‘independentes’. Quantos «estatutos de editorial» fizeram inscrever este epíteto, mas depois temos de saber e de descortinar quem é o grupo económico, sócio-político, índice religioso ou mesmo alcance ideológico para saber ler/ver/escutar, desmontando o que se diz e qual o objectivo menos claro a atingir.

Parece que, muito camufladamente, a luta mais ou menos ideologizada tem de ser descoberta a bem do que se comunica e do que se pretende informar!

Parafraseando podemos salientar: diz o que lês, quem ouves ou quem vês e saberemos quem és, o que pensas e o que farás… mesmo que isso não se manifeste à primeira impressão.

É urgente despir a roupagem dos ‘opinion makers’ (comentadores) para descobrir o país que somos, a nação que sentimos e a pátria que estamos a construir.




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