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Outro Ponto de Vista…

Seria interessante, se porventura não fosse trágico, termos tido Cunhal com o poder todo.

N/D
21 Nov 2003

A manipulação da opinião pública em sido uma das armas mais eficazes que alguma esquerda tem utilizado.
O branqueamento de situações, o esquecimento de personalidades relevantes e a visão parcelar da realidade tem sido prática recorrente.

Uma das situações que elucida o afirmado pode ser constatado com a celebração dos anos de Álvaro Cunhal e o estado quase de histeria de alguns na sua celebração.

Personalidade relevante do século passado, é-nos apresentado como um dos paladinos da luta pela democracia.

Na minha perspectiva, apresentam-nos só e apenas uma parte da história, aliás procuram contar-nos estórias.

A personagem em questão foi um dos responsáveis, por acção e omissão, por um conjunto variado de violações dos direitos mais elementares do homem, a liberdade.

Convém não esquecer que enquanto responsável político participou activamente no silenciamento de todas as vozes que não afinassem pelo diapasão soviético.

Que se saiba e os factos confirmam, foi estalinista assumido com tudo o que isso implica de mais negativo: milhões de mortos de homens, mulheres e crianças que apenas tinham cometido o delito de pensar de forma diversa à nomenclatura.

Apoiante da linha de Brejnev até ao consulado de Gorbatchev, foi dos dirigentes que melhores serviços prestou à causa soviética. Sem procurar ser exaustivo, apoiou de forma clara a invasão da Hungria, da Checoslováquia, da Alemanha dita democrática e até do Afeganistão. Que se saiba destas invasões resultaram mortos com violações claras dos mais elementares direitos humanos.

Aliás, não lutou pela implantação da democracia em Portugal, ao contrário do que nos pretendem fazer crer, apenas serviu os interesses de outros.

Também nesta matéria a vivência empírica permite-nos verificar que relevantes serviços prestou Cunhal ao seu País.

Foi um dos responsáveis pelo sentido dado à descolonização, e o que isso implicou de sofrimento para milhões de pessoas, responsável pela tentativa de desvirtuamento do viver democrático, manipulou de forma clara todo o processo, verificando-se, hoje, que uma das razões do nosso atraso estrutural pode também ser encontrado, ainda, nas chamadas conquistas de Abril.

Em suma, não entendemos o que se festeja. Os anos de um pobre velhinho? Ou a tentativa de reescrever a história, apresentando-nos um personagem que não tem nada a ver com a realidade passada.

Seria interessante, se porventura não fosse trágico, termos tido Cunhal com o poder todo.

Seria o inferno, como o foi para milhões de irmãos nossos por esse mundo fora.

Não entendo as celebrações, não percebo que encantos encontram no homem.

Para mim, não é mais do que alguém que adquiriu importância pelo mal que muito fez e por tal nunca conseguiria parabenizar.




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